segunda-feira, 9 de julho de 2018

Seleção argentina não vem a Israel, Messi também não

Definitivamente este não é um país como outro. Na semana passada, quando o vulcão entrou em erupção na Guatemala, Israel foi um dos primeiros países a enviar socorro: um carregamento de medicamentos e um grupo de paramédicos especialistas em primeiros-socorros, no que o país é especialista, claro. A mídia nunca noticia.
Há cerca de dois meses o Hamas atira foguetes em Israel; manifestantes na cerca fronteiriça lançam pipas incendiárias com coquetel molotov sobre os campos de plantações no sul de país, nova forma de terrorismo, incendiando centenas de hectares, dezenas de campos, e ninguém diz nada. Acham normal este país moderno e de exército forte ser atacado dia após dia, afinal Israel é sempre o potente e abominável vilão.
Definitivamente este não é um país como os outros, pois, com todos os problemas e mesmo errando, é um país que cuida e zela por seus cidadãos.
Enquanto isso no Brasil morrem assassinadas cerca de 170 pessoas por dia - 62 mil por ano (ninguém boicota o Brasil);
Enquanto isso a Rússia toma conta da Síria, bombardeando e matando dezenas de seres humanos todos os dias (ninguém boicota a Rússia);
Enquanto isso o Irã e o Hizbolah fazem da Síria campo de guerra para chegar à fronteira de Israel (honrem os esquemas com o Irã, são muito confiáveis);
Enquanto isso a Turquia, diga-se Edorgan, abafa com mão de ferro a luta pela independência dos curdos e todos aqueles que se levantaram ou se levantam contra ele (e ninguém diz nada);
Enquanto isso ditaduras sanguinárias na África fazem milhares de exilados na Europa, entre eles 20 mil eritérios e sudaneses vivendo aqui.
Enrolam o rabo, sentam em cima e metem o pau em Israel, que busca se defender, literalmente, todos os dias, de todos os lados.
Como Israel pode ser assassino de palestinos se não governa e nem entra nem na Cisjordânia nem em Gaza, que têm seus próprios governos? Como Israel pode ser assassino de palestinos se aqui dentro vivem em paz 2 milhões de palestinos com CI, cidadãos israelenses com direito de voto, de culto e com representação no Parlamento? Poderia o inverso ser verdade? Com a formação de Israel, 800 mil judeus se tornaram refugiafos, sendo expulsos dos países árabes vizinhos (e ninguém fala sobre isso, falam apenas do mesmo número de palestinos que saiu daqui nessa ocasião e agora querem voltar - A Marcha da Volta. Eles aceitariam receber de volta os judeus do Iraque, do Irã, do Egito, do Marrocos, da Argélia? As familias dos meus sogros ainda guardam a chave da casa deles em Bagdá onde viveram centenas de anos).
Então, naquele fatídico dia da inauguração da Embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém (que já era e continua sendo a capital deste país), o exército de Israel matou 63 palestinos, 63 vidas humanas. Triste, muito triste. Imperdoável. O potente exército de jovens israelenses não estava preparado para o que aconteceu naquele dia na fronteira. E de forma errônea agiu como estava instruído para agir num dia normal. Mas aquele não era um dia como os outros e, erroneamente, caíram no jogo do Hamas. E assim ganhou o terror. Este dia passou para a história como um dia negro para este país.

Sim, este país não é como os outros. Os holofotes estão e estarão sempre aqui, esperando a oportunidade de apontar o dedo acusador.

Viva a hipocrisia... Ninguém vai boicotar nem a Rússia nem o Brasil nem a Turquia nem o Irã nem o Katar e a Arábia Saudita que oprimem e matam centenas de homossexuais e mulheres. Vão continuar a visitá-los e a jogar futebol em seus campos. Enquanto isso continuam a jogar pedra na geni, ela é boa de apanhar, ela é boa de cuspir.

Raquel Teles Yehezkel
Tel Aviv 6 de junho de 2018

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