terça-feira, 26 de agosto de 2014

ISIS, ISRAEL E O ESTATUTO DO HAMAS



Raquel Teles Yehezkel

Você sabe o que é ISIS? Estado Islâmico do Iraque. Isis, Hamas, Jihad, Irmandade Muçulmana, Hezbollah, Al Qaeda são grupos que lutam pela instituição de um Estado Islâmico, cada um atuando em uma região diferente, mas com a mesma ideologia. São grupos jihadistas, isto é, pregam a Guerra Santa (Jihad) e a conversão dos infiéis pela força das armas, com a finalidade de criar um Estado Islâmico universal, preconizado em suas escrituras sagradas. Parece delírio? Mas não é. É uma ideologia que vem se mostrando vencedora e se expandindo por várias partes do mundo, segundo a qual mais cedo ou mais tarde, acreditam, o mundo será governado pelo Islã, única religião possível: 

Artigo 34: Trata-se da única forma de libertação, e ninguém pode duvidar do testemunho da história. Trata-se de uma das leis do universo e leis da realidade. Somente o ferro pode romper o ferro, e a falsa e fabricada fé dos inimigos somente pode ser vencida pela fé verdadeira do Islã, porque a verdadeira fé religiosa não pode ser atacada senão pela fé religiosa. E a verdade deverá triunfar porque a verdade é mais forte. (Estatuto do Hamas. http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/estatuto-do-hamas/ )

O Hamas chegou ao poder em 2006 por meio de eleições, disseminando uma ideologia religiosa extremista, e no ano seguinte, quando percebeu que em um governo de coalizão não podia fazer o que queria, tomou pela força a região de Gaza, expulsando em 2007 o governo de Mahmud Abbas em uma guerra sanguinária entre irmãos, que matou mais de mil palestinos em duas semanas. Isso aconteceu depois de Israel ter entregado Gaza em 2005 por decisão unilateral, deslocando, por mandato judicial, 8 mil judeus que residiam na região. Desde então o Hamas estabeleceu em Gaza uma ditadura perversa, que abafa qualquer voz que se levante contra eles. Em Gaza não há eleições, não há troca de governos, não há dissidência, não há direito da mulher ou de gays, há apenas o governo  preconizado pela jihad: 

Art 28: Exigimos que os países árabes em torno de Israel abram as suas fronteiras aos árabes e muçulmanos combatentes da Jihad a fim de cumprirem sua parte, juntando suas forças às forças dos seus irmãos – a Irmandade Muçulmana na Palestina. Dos demais países árabes e muçulmanos, exigimos que, no mínimo, facilitem a passagem através de seus territórios dos combatentes da Jihad. (Estatuto do Hamas. http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/estatuto-do-hamas/ )

O mundo distante não compreende a extensão desses conflitos, como também não compreendeu rapidamente os objetivos do governo fascista instituído por Hitler, até atingir toda a Europa e chegar à Segunda Guerra; ainda assim, assistiram de longe, dificultando a saída e entrada dos refugiados da guerra. O holocausto deu legitimação para a criação de um estado judeu, onde eles pudessem se autogovernar, construir um estado e se autoprotegerem em terras ancestrais. Após viver dois longos exílios, o da Babilônia, pelas mãos dos persas e a Diáspora, pelas mãos dos romanos, o povo judeu voltou pode à sua terra de origem. Nessa terra, sempre estiveram presentes povos semitas, sejam árabes ou judeus, em maior ou menor quantidade, dependendo sob qual dominio estivesse, seja: romano, árabe, turco, egípcio, inglês, jordaniano (48 a 1967). Por que não se fundou o estado da Palestina em tempos passados ou em 1948, nas terras indicadas pela ONU? Porque os países vizinhos não aceitaram a criação de um estado judeu na região e se juntaram contra a autodeterminação do jovem estado no que se chamou, em Israel, de Guerra da Independência. Após esta guerra, o Egito ficou com o domínio sobre Gaza, e a Jordânia, com a Cisjordânia, inclusive com Jerusalém, onde era proibida a entrada de judeus. Por que nesse período de 20 anos não formaram a Palestina entre 1948 e 1967, quando esse território estava sob seu domínio? Por que não trouxeram de volta os refugiados da guerra de 1948, formando a tão sonhada Palestina? Neste mesmo período, Israel recebeu centenas de milhares de refugiados judeus expulsos ou perseguidos no Irã, Iraque, Síria, Marrocos, Tunísia, Egito, que chegaram a Israel sem nada nas mãos, depois de viverem centenas de anos nesses lugares; não teriam eles direito à indenização ou reintegração nesses países dos quais são oriundos? Os países vizinhos não formaram a Palestina porque tinham como objetivo destruir Israel, e em 1967 novamente se juntaram para “jogar os judeus no mar”, este era o lema árabe. Nessa guerra, de 1967, Israel tomou Jerusalém e chegou à fronteiras geograficamente seguras, ocupando as montanhas do Golã da Síria; a Cisjordânia da Jordânia, tendo o Vale do Jordão como fronteira segura; e o deserto do Sinai, do Egito, devolvido no esquema de paz entre os dois países em 1978. O Egito não quis Gaza de volta. E a Jordânia não quis a Cisjordânia, no tratado de paz assinado em 1994. Deixaram para Israel resolver a questão com os palestinos. Hoje, querem voltar à fronteira de 1967, mas sem nenhum dos assentamentos que foram lá levantados nesses anos de ocupação. Querem a Palestina livre de judeus, enquanto Israel tem 2 milhões de árabes muçulmanos em seu território.

Por que atualmente países vizinhos como o Egito, Arábia Saudita, Síria e Jordânia apoiam a iniciativa de Israel contra o Hamas? Por que Mahmud Abbas e a Cisjordânia se calam? Por que Rússia e China não dizem nada? Porque conhecem de perto o perigo que representam os grupos jihadistas para a frágil estabilidade da região. Há poucos anos o Egito elegeu a Irmandade Muçulmana para logo depois sair às ruas em um movimento popular que depôs o presidente Morse – estava conhecida a cartilha do extremismo. Até mesmo a Arábia Saudita apoia Israel na luta em Gaza e culpou publicamente o Hamas por tudo o que está acontecendo em Gaza, por ter “vendido barato a causa palestina para a Irmandade Muçulmana" e que o Hamas só quer a guerra. Atualmente, o Egito apoia Israel em sua iniciativa, não querem o Hamas como vizinhos. Os únicos países que dão suporte ao Hamas são o Irã, a Turquia e o Catar, acusados pelo Egito e Arábia Saudita de alimentarem o terror na região. Vejam a declaração do ministro do exterior da Arábia Saudita, Al Saud, sobre este assunto: http://awdnews.com/top-news/9417-saudi-foreign-minister-we-must-denounce-our-hatred-toward-israel-and-begin-normalize-ties-with-jewish-nation.html

O mundo vem desdenhando os graves conflitos no Oriente Médio. Nos conflitos na Síria, grupos extremistas se fortaleceram ao lutarem ao lado dos que pretendiam derrubar o ditador Assad e de lá partiram para o Iraque. Dominando uma larga faixa que vai desde a Síria ao Iraque, caminham em direção a Bagdá, matando quem se opõe a sua ideologia (Vejam em: https://www.youtube.com/watch?v=OCY5YvonoSw ) – é o Estado Islâmico, conhecido pela sigla de ISIS. Onde há vácuo de governo, o radicais tomam espaço. O governo francês reconhece que há cerca de mil franceses lutando pela jihad islâmica nos conflitos da Síria e Iraque; e teme que voltem comprometidos com a ideologia jihadista e melhores treinados, como foi o caso do atentado contra judeus em uma sinagoga na Bélgica, perpetrado por um francês que treinado pela Al-Qaeda. Vejam a declaração do presidente francês: http://www.express.co.uk/news/politics/502305/Francois-Hollande-UK-to-blame-for-jihadi
 
Somente após o assassinato do jornalista americano James Foley parece que a Inglaterra e o Ocidente começam a despertar e a temer (Vejam em: https://www.youtube.com/watch?v=as2P3fTfvpQ&bpctr=1408894457 ). Mas muitos continuam achando que o problema é o pequeníssimo estado de Israel. Os antissemitas de plantão, dizendo-se anti-Israel, negam a Israel o direto de autodefesa e até mesmo seu direito de existir. Como podem chamar de colonialista um país de território mínimo, que abriga em seu território 1/4 de população árabe e ainda cercado por vizinhos que se autodeclaram inimigos? Israel não é um país perfeito, mas é um país moderno e diversificado, que recebeu judeus oriundos de mais de 50 povos em sua formação e possui 2 milhões de árabes cidadãos israelenses, com os mesmos direitos, inclusive de voto, vivendo em relativa paz; a maior parte muçulmanos, mas também beduínos, drusos, cristãos, que possuem liberdade de culto, o que não ocorre nos países islâmicos vizinhos. Um país que contém todo tipo de correntes de pensamento, uma imprensa livre, inteligente e afiada e um poder judiciário forte para fazer autocrítica e julgar seus próprios crimes. Pode-se falar mal do governo, da guerra e suas atrocidades em manifestações públicas, pode-se abrir entidades contra o exército e abrir julgamento contra ações do governo. Israel é o país que tem, proporcionalmente, o maior número de famílias gays constituídas no mundo e todo tipo de corrente se encontra representada no parlamento, a Knesset, onde se juntam em coalizões formando uma maioria que governa. Atualmente o governo é de direita, mas já foi de esquerda. 

Este momento, em que os países vizinhos apoiam Israel na luta contra o Hamas, é propício para se conseguir um acordo de paz amplo e duradouro para a região, apoiado pelas comunidades internacionais. Sem túneis traiçoeiros sob os pés, conforme prega o Hamas em seu estatuto:

Art. 13 – "As iniciativas, as assim chamadas soluções pacíficas e conferências internacionais para resolver o problema palestino se acham em contradição com os princípios do Movimento de Resistência Islâmica, pois ceder uma parte da Palestina é negligenciar parte da fé islâmica.
“Os judeus nunca ficarão contentes, tampouco os cristãos, a menos que se siga a religião deles. Dizei: ‘A orientação de Alá é a orientação certa.’ Mas se seguirdes os desejos deles, depois de saberdes quem foi que veio até vós, então não tereis a proteção e a guarda se Alá.” (Alcorão 2- 120).
Não há solução para o problema palestino a não ser pela jihad (guerra santa).
Iniciativas de paz, propostas e conferências internacionais são perda de tempo e uma farsa. O povo palestino é muito importante para que se brinque com seu futuro, seus direitos e seu destino. Como consta do Hadith: “O povo de Al-Sha’m é o açoite (de Alá) na Sua terra. Por meio dele, Ele se vinga de quem Ele quer, dentre os Seus servos. Os hipócritas não podem ser superiores aos crentes, e devem morrer em desgraça e aflição.” ( Estatuto do Hamas. http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/estatuto-do-hamas/ )

Fontes:
Acessado em 24.08.2014

Estatisticas de europeus em movimentos jihadistas: 


Declaração do governo da Arábia Saudita:

Estatuto do Hamas:

Morte do jornalista James Foley:

Isis:

ESTATUTO DO HAMAS, OBSCURANTISMO E O ARTIGO DE SALEM NASSAR NA REVISTA "BRASILEIROS"

 Raquel Teles Yehezkel

Começo este artigo citando a carta que um amigo, Moshe Waldman, escreveu em resposta ao articulista Salem Nasser que publicou artigo na revista "Brasileiros" on line em julho de 2014, cujo tema era "o banho de sangue em Gaza", claramente tendencioso.

"Prezado Salem Nasser,
Peço-lhe publicar alguns trechos escolhidos dos Estatutos do Hamas que lh
e envio abaixo, para que os leitores possam ter meios para avaliar o que realmente está por trás desta tragédia, deste banho de sangue em Gaza. Confio que, apesar de ter indicado em seu artigo o Hamas como “o real adversário de Israel”, isto seja apenas uma constatação sua e que sua linha de pensamento não se coadune com a do Hamas.
Gostaria também de poder ler artigos seus sobre os conflitos que ocorrem no momento no Iraque e na Síria, onde a tragédia é muitíssimo mais intensa do que ocorre hoje em Israel e em Gaza. Se possível, também sobre o conflito religioso entre xiitas e sunitas, com frequentes ataques a bomba, de parte a parte, a civis nos mercados e nas mesquitas.
Muito grato,
Moshe Waldmann (Kfar Saba, Israel)"


Faço agora uma curta citação de trechos do Estatuto do Hamas que pode ser lido em sua íntegra nos sites indicados abaixo.
 
Nota: esta é a tradução literal do Estatuto (Carta) de fundação do Hamas, tornada pública em 1988 e amplamente divulgada pelos sites palestinos oficiais.
Esta tradução foi realizada a partir do original em árabe - e não de traduções para o inglês. Fonte:
http://www.beth-shalom.com.br/artigos/estatuto_hamas.html 

Trechos escolhidos:
 
Abraspas
Israel existirá e continuará existindo até que o Islã o faça desaparecer, como fez desaparecer a todos aqueles que existiram anteriormente a ele. (segundo palavras do mártir, Iman Hasan al-Banna, com a graça de Alá).
Por este Pacto, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) mostra a sua cara, apresenta sua identidade, clarifica sua posição, esclarece suas aspirações, discute suas esperanças, e conclama pelo apoio e suporte, e para que se juntem às suas fileiras, porque nossa luta contra os judeus é muito longa e muito séria, e exige todos os esforços sinceros. É um passo dado que deve ser seguido por outros passos; é uma brigada que deve ser reforçada por outras brigadas e mais outras brigadas deste vasto mundo islâmico, até que o inimigo seja derrotado e a vitória de Alá triunfe.

Art. 7 O Movimento de Resistência Islâmica é um elo da corrente da jihad contra a invasão sionista. Acha-se conectado e vinculado ao (corajoso) levante do mártir "Izz Al-Din Al-Kassam e sua irmandade, os combatentes da jihad da Fraternidade Muçulmana no ano de 1936. Em seguida está relacionado e conectado a outro elo, a jihad dos palestinos, o empenho e a jihad da Fraternidade Muçulmana na guerra de 1948, e às operações da jihad da Fraternidade Muçulmana de 1968 em diante.

Art. 13 As iniciativas, as assim chamadas soluções pacíficas, e conferências internacionais para resolver o problema palestino se acham em contradição com os princípios do Movimento de Resistência Islâmica, pois ceder uma parte da Palestina é negligenciar parte da fé islâmica.
Não há solução para o problema palestino a não ser pela jihad (guerra santa).
Iniciativas de paz, propostas e conferências internacionais são perda de tempo e uma farsa.
 
Art. 22 Os inimigos têm feito planejamento inteligente e cuidadoso, durante muito tempo, a fim de chegar ao ponto em que chegaram, com emprego de métodos que afetam o curso dos acontecimentos. Dedicam-se a acumular imensos recursos financeiros que empregam para realizar os seus sonhos.
Com dinheiro assumem o controle da mídia mundial – agências de notícias, jornais, editoras, serviços de radiodifusão, etc. Com dinheiro promovem revoluções em vários países mundo afora, para servir aos seus interesses e obter lucros. Estiveram por detrás da Revolução Francesa e da Revolução Comunista e se acham por detrás da maioria das revoluções de que ouvimos falar, de tempos em tempos, aqui e ali. Com dinheiro criaram organizações secretas, em todo o mundo, a fim de destruir as sociedades respectivas e servir aos interesses sionistas, organizações tais como os Maçons Livres, Rotary Clubes, Lions, os Filhos da Aliança (B'nei Brith), etc. Todas essas organizações servem para fazer espionagem e sabotagem.
As potências colonialistas, tanto do ocidente capitalista como do oriente comunista, apóiam o inimigo com toda a sua força, seja materialmente seja com mão de obra, alternando um ou outro. Quando o Islã aparece, todas as forças dos infiéis se unem em oposição, porque todos infiéis constituem uma só dominação.
 
Art. 27 A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) está junto do coração do Movimento de Resistência Islâmica, como um pai, um irmão ou amigo, e um verdadeiro muçulmano não deve repelir seu pai, seu irmão ou seu amigo. Nossa pátria é uma só, nosso infortúnio é um só, nosso destino é um só e enfrentamos o mesmo inimigo.
Devido às circunstâncias que conduziram à criação da OLP, e (devido) à confusão intelectual que imperava no mundo árabe, como resultado da invasão intelectual que estava sendo feita desde a derrota das Cruzadas, e que passou a ser intensificada, e continua a ser intensificada, pelas atividades de orientalistas e missionários cristãos – a OLP decidiu adotar a idéia de um Estado Secular, e, assim, vemos a OLP. A ideologia secularista se acha em total contradição com a ideologia religiosa, e são as idéias que são as bases das posições, condutas e decisões.
Assim, com todo o nosso apreço pela Organização para a Libertação da Palestina, e o que ela possa vir a se tornar, e sem desprezar o seu papel no conflito árabe-israelí, não podemos eliminar a identidade islâmica da Palestina, que é parte da nossa fé, e quem negligencia essa fé está perdido. "Quem rejeita a religião de Abrahão é alguém que ficou um tolo". (Alcorão 2-130).
 
Art. 28 A invasão sionista é uma invasão cruel que não possui quaisquer escrúpulos e utiliza métodos viciados e vilãos para atingir seus objetivos. Nas suas operações de espionagem e infiltração, se apóia em organizações secretas, que cresceram fora do seu âmbito, tais como os Maçons Livres, Rotary Clubes, Lions e outros grupos de espionagem do mesmo tipo. Todas essas organizações, secretas ou abertas, operam pelos interesses do sionismo e sob sua direção, e suas finalidades consistem em enfraquecer as sociedades, minar seus valores, destruir a honra das pessoas, introduzir a degradação moral e aniquilar o Islã. O sionismo se encontra por detrás de todo tipo de tráfico de drogas e do álcool, para facilitar o seu controle e sua expansão.
Exigimos que os países árabes em torno de Israel abram as suas fronteiras aos árabes e muçulmanos combatentes da Jihad, a fim de cumprirem sua parte, juntando suas forças às forças dos seus irmãos – a Fraternidade Muçulmana na Palestina. Dos demais países árabes e muçulmanos, exigimos que, no mínimo, facilitem a passagem através de seus territórios dos combatentes da Jihad.
Não podemos deixar de lembrar a cada muçulmano que, quando os judeus ocuparam o Lugar Sagrado (i.e – Jerusalém), em 1967, e se postaram diante da abençoada Mesquita de Al-Aksa, gritaram: "Maomé está morto, sua descendência é de mulheres". Com isso, Israel, com sua identidade judaica e o povo judeu estão desafiando o Islã e os muçulmanos. Que a covardia não conheça descanso.
 
Art. 30 Escritores, intelectuais, profissionais da mídia, pregadores nas mesquitas, educadores e todos os demais setores do mundo árabe e islâmico são convocados a desempenhar seu papel e a cumprir com seu dever. (Isto é necessário) Devido à ferocidade do assalto sionista e devido ao fato de ter-se infiltrado em muitos países, e assumido o controle das finanças e da mídia – com todas as ramificações que daí decorrem – na maioria dos países do mundo.
A jihad não se limita a pegar em armas e combater o inimigo cara a cara, pois palavras eloqüentes, escritos que persuadem, livros que efetivamente cumprem com sua finalidade, o apoio e a ajuda – tudo leva a desempenhar a sincera intenção de levantar a bandeira de Alá e faze-la reinar suprema – tudo isso é a jihad em prol de Alá.
 
Art. 32 O sionismo mundial e as potências colonialistas, por meio de manobras espertas e meticuloso planejamento, tentam afastar os países árabes, um a um, do círculo do conflito com o sionismo, a fim de, finalmente, conseguir isolar o povo palestino. Já levaram o Egito para fora do círculo do conflito, em grande parte através do traidor Acordo de Camp David (de setembro de 1978), e está tentando arrastar outros países árabes para acordos semelhantes, de forma a ficarem fora do círculo do conflito.
 
O Movimento de Resistência Islâmica convoca todos os povos árabes e muçulmanos a lutarem seriamente e diligentemente a fim de prevenir esse terrível esquema, bem como alertar as massas dos perigos inerentes à exclusão do círculo do conflito com o sionismo. Hoje é a Palestina, e amanhã será algum outro país ou países, pois o plano sionista não tem limites, e depois da Palestina pretenderão se expandir do Nilo até o Eufrates, e quando terminarem de devorar uma área, estarão famintos para novas expansões, e assim por diante, indefinidamente. O plano deles está exposto nos Protocolos dos Sábios de Sião, e o comportamento deles no presente, é a melhor prova daquilo que lá está dito. Deixar o círculo do conflito com o sionismo é um ato de alta traição; todos os que o fazem devem ser amaldiçoados. "Quem (quando combatendo os infiéis) vira as costas para eles, ao menos que seja uma manobra de batalha, ou para se juntar a outra companhia, incorre na ira de Alá, e sua morada deverá ser o inferno. Seu destino será do maior infortúnio." (Alcorão, 8:16)
Fechaspas
 
O artigo de autoria de  Salem Nasser na revista "Brasileiros" pode ser lido no link que se segue: http://www.revistabrasileiros.com.br/2014/07/16/o-que-ha-por-tras-do-banho-de-sangue-em-gaza/#comment-57267
 
O ESTATUTO DO HAMAS É UM TEXTO DE UM OBSCURANTISMO PROFUNDO, QUE EXPÕE A QUEM LER AS DIFICULDADES DE CHEGAR A UM ACORDO DE PAZ VERDADEIRO QUANDO O "REAL REAL ADVERSÁRIO DE ISRAEL", PARA CITAR SALEM NASSAR, CONTÉM ARTIGOS DE TAL OBSCURANTISMO EM SUA CARTA DE EXISTÊNCIA. FAZER AS PAZES COM QUEM? COM O HAMAS QUE PREGA A QUEM QUISER OUVIR A DESTRUIÇÃO DE ISRAEL E QUE DIZIMOU EM SEU TERRITÓRIO SEUS IRMÃOS DO FATAH (OLP) E TODOS QUE FORAM CONTRA ELES? 

QUE FIQUE BEM CLARO, SOU A FAVOR DO POVO PALESTINO, DO POVO DE GAZA E DE UM ESTADO PALESTINO VIVENDO AO LADO DE ISRAEL. SOU CONTRA A EXPANSÃO DOS ASSENTAMENTOS EM TERRITÓRIOS OCUPADOS. SOU CONTRA A VIOLÊNCIA, AS GUERRAS E O ASSASSINATO DE UMA ÚNICA PESSOA INOCENTE. SOU CONTRA E ME POSICIONO CONTRA QUALQUER TIPO DE VIOLÊNCIA DISSEMINADA POR GRUPOS EXTREMISTAS QUE TENHAM O ASSASSINATO COMO MEIO OU COMO FIM. ACHO QUE DEVEM SER COMBATIDOS VEEMENTEMENTE POR TODA A SOCIEDADE E INSTITUIÇÕES. NÃO HÁ JUSTIFICATIVAS HISTÓRICAS NEM SOCIAIS PARA NENHUM GRUPO QUE COMETA OU QUE PREGUE ASSASSINATOS DE OUTROS, SEJAM ELES HAMAS, AL QAEDA, JIHAD, HEZBOLLAH, FRATERNIDADE MUÇULMANA, ISIS, COMANDO VERMELHO, TRAFICANTES, CRIMINOSOS, FARCS, DITADORES, REGIMES TOTALITÁRIOS: TOLERÂNCIA ZERO.  

O QUE PÔDE FAZER O BOM POVO RUSSO PARA DETER AS MATANÇAS DE STALIN? OS ALEMÃES BONS CONTRA HITLER? OS CHINESES CONTRA O PODER DE MAO TSE-TUNG, QUE DIZIMOU MILHÕES DE OPOSITORES DE SEU PRÓPRIO POVO? HÁ DE SE PROTESTAR CONTRA O DESGOVERNO. HOJE DERRUBARAM UM AVIÃO COM 300 PASSAGEIROS, MAIS DO QUE MORREU EM TODA A GUERRA "TSUK EITAN" CONTRA O HAMAS ATÉ HOJE. POR QUE NINGUÉM SABE DAR OPINIÃO SOBRE O ASSUNTO? POR QUE NINGUÉM FALA SOBRE A GUERRA ENTRE IRMÃOS QUE AGORA MESMO ASSOLA MILHARES NA SÍRIA E NO IRAQUE? ALGUÉM TEM OPINIÃO? MAS O DEDO ACUSADOR É FACILMENTE APONTADO PARA UM PAÍS DEMOCRÁTICO E SOBERANO, QUE VIVE CERCADO POR GUERRAS DE TODOS OS LADOS E TEM QUE SOBREVIVER COM AS PRÓPRIAS FORÇAS, DENTRO DO PRÓPRIO JOGO DEMOCRÁTICO QUE AGREGA DEZENAS DE OPINIÕES DIVERGENTES. 

PARA QUEM SE INTERESSE REALMENTE EM CONHECER O QUE É O HAMAS, SEGUE O SEU ESTATUTO NA ÍNTEGRA:
 


Israel, 18 de julho de 2014


ISRAEL NÃO É CONTRA ÁRABES NEM CONTRA PALESTINOS

Raquel Teles Yehezkel
Carta-resposta a um amigo: Israel não é contra árabes nem contra os palestinos. Dentro da fronteira israelense conhecida internacionalmente pelos limites da "linha verde", há dois milhões de árabes (1/4 da população de Israel) vivendo pacificamente no dia a dia, com direitos civis e políticos iguais aos dos judeus, regidos pela mesma constituição e possuidores da mesma carteira de identidade.

Vamos tentar por os pingos nos is, sem generalizações. É verdade que Israel preocupa-se muito em difundir a hostilidade dos países vizinhos que alimentam o terrorismo na Palestina, na tentativa de mostrar como é difícil o equilíbrio de forças e a existência nesta região de conflitos. Mas é verdade também que não se divulgam de forma suficiente os dados positivos dentro do estado de Israel, conhecido internacionalmente pelos limites da "linha verde", os limites que seriam, de direito, de Israel. 

Os árabes que desde a divisão entre Israel e Palestina ficaram dentro da linha verde são chamados israelenses árabes e são atualmente 2 milhões com identidade israelense. Não são chamamos de palestinos, apesar de que há entre eles milhares de palestinos, pois há também árabes drusos e árabes cristãos, mas a maioria são muçulmanos. Estes têm uma bancada ativa de deputados no congresso, o partido árabe. Todos os 2 milhões podem votar, mas o voto não é obrigatório e muitos judeus e árabes não votam. Os árabes drusos amam Israel, servem o exército desde a fundação do estado, inclusive o novo embaixador de Israel no Brasil, Reda Mansur , é um árabe druso e eu fui sua professora em algumas aulas de português pelo Berlitz. Os cristãos israelenses vivem em paz absoluta, alguns servem o exército outros não -
 facultativo para toda a população árabe. Parte dos cristãos do norte de Israel vieram das guerras com o Líbano, onde cristãos do sul do Líbano apoiaram Israel, pois sofriam e sofrem a pressão da islamização na região (caso dos libaneses cristãos que emigraram para o Brasil no passado) e tiveram que fugir de lá quando o Hezbollah, grupo jihadista, dominou a região.

Evasão parecida se deu em 1948, quando muitos palestinos deixaram a linha verde, os limites do estado de Israel, e se refugiaram na Jordânia, Síria, Líbano ou Egito. Nesta época, após a II Guerra, o mesmo se deu com os judeus nos países árabes, que foram expulsos do Iraque, Irã, Marrocos, Tunísia e nunca mais puderam colocar os pés em seus países de origem, até os dias de hoje. Vieram de mãos vazias, deixando centenas de anos de história para trás.

Porém, os palestinos que decidiram ficar dentro da linha verde, como em Jaffa, Abu Gush, Faradys, Kfar Kassem, só para citar algumas aldeias do centro (são centenas em Israel), receberam cidadania israelense, com todos os direitos e deveres da constituição e não são chamados de palestinos, mas de israelenses árabes e vivem em segurança e em relativa harmonia dentro de Israel, defendidos pela mesma constituição.

A Palestina seria o que está fora da linha verde, o que ficou na guerra de 1948 com a Jordânia: a Cisjordânia; e com o Egito: Gaza, que por 20 anos dominaram a Palestina designada pela ONU e não fundaram o almejado estado palestino; mas em 1967 lutaram nova guerra contra Israel. Nesta guerra, de 1967, Israel tomou esses lugares (Cisjordânia e Gaza), para ter as fronteiras naturais e seguras do vale do rio Jordão (divisa com Jordânia), do deserto de Sinai (divisa com Egito) e as colinas do Golan, (divisa com a Síria). Desde então começou a luta pelo estado palestino e a ocupação dessas terras palestinas por colonos de Isarel, desenhando o mapa do atual conflito, pois Israel conquistou essas terras e tomou posse das mesmas para sua autosegurança, iniciando o que se chama de ocupação e colonização da Cisjordânia. Aí se encontra a região de Hebron, onde colonos israelenses construíram ao lado a cidade de Kiryat Arba, que defende o direito de rezarem na Caverna Mahpelá, onde estão enterrados Abrão, Sara, Isak, Rebeca, Jacó e Léa, os patriarcas de ambas as nações. Neste monumento foi dividido, e, em horários distintos, para garantir que judeus e muçulmanos possam rezar lá dentro. Mas isso acontece por meio da ocupação do exército de Israel, pois está na Cisjordânia, e eles não querem os judeus rezando lá. É neste cenário delimitado que se encerram os embates atuais. Nesta mesma guerra, iniciada em 1967, tendo os vizinhos árabes o objetivo de tomar Israel, Israel dominou também Jerusalém, até então sobe o domínio e controle do mufti da Jordânia, onde judeus eram proibidos de colocar os pés em toda cidade antiga
. Atualmente todas as religiões podem frequentar e rezar em Jerusalém, e o lado leste da cidade é ligado à Cisjordânia, onde fica Belém (Bethlêhem), sob domínio da Autoridade Palestina. O Muro das Lamentações fica no quarteirão judaico, é a parede oeste do Segundo Templo que restou após ser destruído pelos romanos. Noo lugar do antigo Templo de Salomão, a dominação árabe construiu  na Idade Média a primeira mesquita, depois reconstruída, e, atualmente conhecida por Al-Aqsa, justamente onde estiveram os dois antigos templos e onde está, crê-se, o altar onde Abrão imolou o cordeiro no lugar de Isaac. Esta área tem entrada e saída para o quarteirão islâmico, e eles têm a posse e direção do lugar garantidos pelo governo de Israel, judeus não devem entrar lá, para sua própria segurança.

Em 1978, Israel devolveu o Sinai e Gaza em acordo de paz com Sadat do Egito, que não quiseram a responsabilidade de Gaza. Em 1994, Israel assinou acordo de paz com o rei Hussein da Jordânia, e eles não quiseram a responsabilidade sob a Cisjordânia, mas mantiveram e mantêm ainda a responsabilidade administrativa sobre os monumentos islâmicos em Jerusalém. Em 1993, Rabin e Peres assinaram acordo com Yasser Arafat, refugiado palestino que no exílio fundou a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e o trouxeram de volta para que os palestinos tivessem um líder à altura que pudesse unir todos os palestinos, e, juntos, assinaram o esquema de Oslo, pelo qual, por alguns anos, se formaria a Autoridade Nacional Palestina até chegar à Palestina estado nacional. Nesse tempo seriam construídas pontes de confiabilidade entre os dois estados e manteriam as fronteiras entre ambos relativamente abertas, o aeroporto de Israel também. A primeira milícia da Autoridade Palestina foi treinada por Israel. Com a morte de Arafat, tomou posse seu vice, Mahmud Abbas. Em seguida houve eleições e o Hamas ganhou largo apoio, dividindo o governo com Abbas. As duas lideranças se desentenderam e fizeram uma guerra entre irmãos, na qual, em duas semanas morreram cerca de 2000 palestinos de forma rude, degolados e mutilados, até o Hamas tomar posse de Gaza sozinho, governando como partido único, desde 2006, trazendo terror a Israel e entre os próprios habitantes de Gaza.

O Hamas continua tendo apoio de larga parte da população palestina, inclusive na Cisjordânia, que por ter uma fronteira extensa com Israel possibilitava muitas penetrações em Israel para atos de terrorismo, como as inúmeras explosões contra civis na década de 1990. Nos primeiros anos de 2000, Israel começou a construir o chamado muro da separação, desenhando a própria fronteira, seguindo em parte a linha verde e partes além dela para abarcar colônias judaicas, e, desde então não houve praticamente atentados terroristas vindos da Cisjordânia. Em contraposição, sob o comando do Hamas em Gaza, o Hamas começou a armazenar e jogar bombas contra cidades israelenses e a construir túneis entre o Egito e Gaza para passar armas, e túneis que vazavam as fronteiras de Israel. São dezenas deles, uma grande obra de engenharia civil, a 25m de profundidade, alguns com mais de 2km, se interligando ou não; por onde transitam de motocicleta em vias subterrâneas, onde o soldado israelense Gilad Shalit ficou preso 5 anos.

Em esquema prévios, como o costurado pelo ministro norteamericano John Kerry, Israel está disposto a ceder, a trocar terras, e falta muito pouco para fechar um acordo. Nos últimos anos há certa tranquilidade com a Cisjordânia sob o governo de Abbas e o comércio e trânsito mais livres entre as partes, passando exatamente o contrário em Gaza. Enfim, uma colcha de retalhos delicada, de difícil costura e compreensão. Uma questão complexa entre um estado nacional que luta para existir e um estado dividido que busca a sua própria identidade e nacionalidade. Pessoalmente, apoio aqui os movimentos pela paz imediata com concessões territoriais e tenho várias críticas ao atual governo, não o apoio nem votei nele. Sou a favor da paz duradoura entre as partes e de um diálogo franco e aberto. Mas nem por isso Israel pode ser acusado de genocida e o Hamas não deixa de ser um grupo jihadista e extremista. Sei que não sou totalmente imparcial, mas busco analisar com alguma nitidez. Só a paz interessa. Paz em troca de paz. Paz. Shalom, Salam!

Israel, 4 de agosto de 2014

O EXÉRCITO DE ISRAEL É FORMADO POR NOSSOS FILHOS

 Raquel Teles Yehezkel

Ao ver a foto de meu filho se despedindo de nós e entrando num ônibus do exército de Israel (Tzvá leHaganá leIsrael ou Tzhal / Força de Defesa de Israel), muitos amigos e familiares se alarmaram no Brasil. O exército de Israel é uma máquina imensa, cheia de parafusos e engrenagens e meu filho será apenas mais um trabalhador lá dentro. 

O exército tem jornais, rádio, grupo de teatro e de música, todas as engenharias, tecnologia, departamento de educação e de apoio a população necessitada, serviço de inteligência, secretários, cozinha, limpeza, línguas, computação. E cada um se adapta em seu perfil, fazem testes e vão se encaixando aos poucos na grande máquina. Os grupos de comando e grupos de frente são formados por voluntários, que tem de ter o perfil máximo, 97. Não é o caso de meu garoto, por exemplo, que não possui perfil de combatente, é asmático desde pequeno e ainda assim servirá, seja como um funcionário burocrático ou  um técnico. 

Nos primeiros meses, todos passam pela tironut, desafios de exercícios físicos, conforme seu perfil, e ele se encaixa num perfil médio. 98% da escola da qual ele vem em Ramat Hasharon querem e sonham ir para o exército. É um período de crescimento, de convivência, de amizade para toda a vida. Deixam suas casas e vão morar entre jovens, homens e mulheres que se tornam amigos ao longo das vivências que vão dividindo (as meninas servem dois anos). Se Deus quiser não teremos mais guerras. E, se tiver, vão primeiro os comandos e os oficiais que quiseram ser oficiais, depois os milhares de voluntários e não os despreparados, recém-empossados em seus cargos. Não há a possibilidade de Israel convocar jovens, colocá-los em um ônibus e enviá-los para a guerra. Ir para uma guerra ou uma operação exige-se muito preparo. De modo que não se preocupem com meu garoto. Ele está entrando em um sistema muito bem preparado para receber o jovem sensível que ele é. De lá só sairá uma pessoa melhor. 

Um amigo, o professor do jardim com o qual trabalhei dois anos, é homossexual, casado e pai de uma filha, uma pessoa muito especial, sensível e inteligente, resumiu bem ontem: "Fale para ele não se preocupar. Mais do que nós damos para o país, é o exército que dá para nós, mais que nós para ele". Este é o sentimento de orgulho da maioria dos jovens de pertencer as forças de defesa de Israel. Portanto não se preocupem, ele está em muito boas mãos! 

Israel, 7 de agosto de 2014

SÍRIA E GAZA - UMA COMPARAÇÃO INDECENTE

Raquel Teles Yehezkel

Só nesta semana morreram 1700 pessoas na Síria, entre eles centenas de mulheres e crianças, batendo seu próprio recorde nesta guerra civil que se arrasta. Num total de 180 mil mortos! Absurdo! A força do governo tirano da Síria contra seu próprio povo não é desproporcional? Ninguém se manifesta por quê? E mais absurdo ainda: a Síria está lá no conselho da ONU votando contra Israel por crimes de guerra! 

Por que a ONU não vota contra o uso de escudos humanos em Gaza, mais que divulgado pelo próprio Hamas na imprensa, como crime de guerra? A guerra em Gaza é win-win para o Hamas: comemoram o número de mortos em Israel e em Gaza! Ninguém se manifesta, por quê? Óbvio que isso não legitima as ações de Israel em Gaza nem os ataques do Hamas a Israel, mas fica aí a pergunta: por que quando envolve Israel todo mundo vai às ruas? Israel quer paz em troca de paz, só isso. É só pararem de jogar mísseis em seu território para sempre que Israel entra mais em Gaza! PAZ! E tem provado isso em suas relações com o Egito e com a Jordânia, dominadores de Gaza e da Cisjordânia respectivamente até 1967, e nenhum dos dois no acordo de paz com Israel quis ficar com a responsabilidade sobre essas partes para garantir aos palestinos o estado palestino tão sonhado, por quê? Mesmo com aqueles que não tem acordo de paz, Síria e Líbano, Israel mantém uma fronteira pacífica, é só parar de atirar mísseis aqui, como o Hezbollah parou! É pedir demais? 

Ao invés de fazerem imensas manifestações contra Israel, forcem por um acordo de paz onde forças internacionais possam supervisionar a formação e a estruturação de um estado palestino pacífico e progressista, em vez de passarem 12 anos, como declararam, cavando túneis e comprando mísseis com o único objetivo de atacar Israel!

Israel, 1 de agosto de 2014


Fonte

A educação em Gaza:

http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/2014/08/06/chorao-da-onu-e-desmascarado-na-tv-video-mostraria-escolas-da-entidade-pregando-odio-aos-judeus-cade-a-noticia-nos-jornais-e-as-fotos-dos-foguetes-do-hamas-sendo-lancados-dos-arredores-das-instalac/

Estatuto do Hamas:
 
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/estatuto-do-hamas/

ISRAEL, GAZA E O HAMAS

 Raquel Teles Yehezel

Meus amigos no Brasil me perguntam o que Israel está fazendo em Gaza. Não queria responder, pois é mais fácil ficar fora do conflito, simplesmente apontar aquilo que é mais óbvio ou ficar sempre do lado do mais fraco. Mas vamos lá. Realmente é motivo de perplexidade o que vem ocorrendo em Gaza e não menos em Israel. Não defendo a morte de uma pessoa sequer, muito menos de crianças e civis inocentes. E nenhum lado tem completa razão quando um conflito chega a este ponto. Mas é necessário buscar compreender os conflitos na região do Oriente Médio.

Esta não é uma guerra por territórios, pois Gaza é um território independente, com governo próprio desde 2005 quando Israel entregou o governo de Gaza a Mahmud Abas, retirando 8 mil judeus da região; também não é uma guerra contra os palestinos, pois grande parte deles reconhecem e vivem em paz relativa com Israel, como acontece com a maioria na Cisjordânia e com milhões de árabes que vivem dentro das fronteiras de Israel. Os extremos são o problema, têm que ser evitados e combatidos, dos dois lados. Os seis rapazes israelenses que mataram o jovem árabe após a morte dos três adolescentes estão presos e serão julgados, já os que mataram os três rapazes, apesar de todos saberem seus nomes, continuam soltos.

O Hamas é um grupo violento e fora da lei, que mantém Gaza sob coação e elimina qualquer voz que se levante contra eles. Ninguém deveria apoiar um estado dominado por grupo que tem um estatuto como o do Hamas, um verdadeiro barril de pólvora, que já publiquei sobre isso anteriormente. Israel é um pais democrático, com imprensa livre, com uma gama de todo tipo de população e de correntes de pensamentos. A pressão internacional pode exigir do governo israelense um diálogo de paz efetivo, mas não forçá-lo a ser passivo quando é atacado constantemente por uma força que tem como o único objetivo destrui-lo. O Egito e a Arábia Saudita são abertamente contra o Hamas, o Hezbollah, o Jihad, pois os conhecem por dentro e sabem o perigo que representam quando se instalam em um pais. É o que faz o Egito no Sinai, onde se contrapõe ao Hamas, patrocinado pela Irmandade Muçulmana - que foi posta e deposta do governo pela população do Egito quando enxergaram seu extremismo. O mesmo se dá hoje em Gaza. O Hamas foi eleito para compor o governo junto a Autoridade Palestina, e, em 2006, quando a linha do Fatah (OLP de Abbas) não concordou com suas posições, o Hamas tomou frente do combate onde morreram, em poucos dias, mais de 1 mil pessoas, em uma guerra sangrenta entre irmãos. Israel já mostrou seriedade nos acordos definitivos que fez com o Egito e com a Jordânia. Nenhum dos dois quis ficar com a palestina para tomar a frente e ajudar na formação do estado palestino. Nem a Jordânia quis ficar com a Cisjordânia, que estava sob seu poder até a guerra de 1967, nem o Egito quis ficar com Gaza, que atualmente é um estado autônomo, livre da ocupação israelense, desde que o próprio governo israelense decidiu unilateralmente entregá-lo à Autoridade Palestina, retirando da região mais de 8 mil israelenses, em 2006. Desde então, sob o domínio do Hamas, só faz acumular armamentos e construir túneis com a intenção de atacar o vizinho.

Nas negociações para um cessar-fogo no atual conflito, Israel e Egito estão tentando introduzir Mahmoud Abbas em Gaza, com a responsabilidade sobre as fronteiras, com o auxílio de forças internacionais, mas esta proposta não é do interesse do Hamas, que prefere continuar na batalha enquanto sua população lhe serve de escudo. A imprensa não divulga tudo, prefere ficar com as imagens mais doloridas de Gaza. Alguém viu a engenharia aplicada nas dezenas de túneis cuja única intenção é penetrar ilegalmente sob a fronteira para cometer atos de terrorismo? Israel tem o exército mais moral do planeta, apesar da imoralidade de toda guerra. Avisa com panfletos qual a área a se evacuar, telefona para as casas, mas o Hamas dá contraordem de não evacuar a região. Viram a escola da ONU atolada de explosivos? A ONU sabe. Viram a outra escola que Israel detonou, também? Viram ontem um hospital que Israel durante 36 horas pediu evacuação, avisou por telefone inclusive ao médico diretor, que o lugar não estava sendo usado para doentes, mas era de onde saíam a maior parte dos últimos foguetes direcionados às comunidades israelenses. Ontem Israel jogou uma bomba e viu-se na imagem uma explosão atrás da outra, de explosivos acumulados no local. Viram Israel trazendo feridos palestinos para os hospitais? O Egito não abriu sua fronteira para ajuda e cessar-fogo humanitário, Israel abriu. É claro que há erros, mas não são deliberados, e isso será provado na comissão que foi instalada ontem pela ONU, pois está tudo documentado.

Quanto ao uso de forças desproporcionais, é sem dúvida desproporcional. Mas é como os Estados Unidos e as forças europeias no Afeganistão, enquanto morrem unidades de soldados dessas forças, morrem dezenas da outra, e esta é a tragédia, mas jamais um massacre ou genocídio, palavras usadas na imprensa brasileira. Israel é menor que o estado do Sergipe, os milhares de foguetes que o Hamas mandam cruzam todo o país, e se não fosse o domo de ferro, antimíssel israelense, verdadeiros salvadores da pátria, aí então o mundo estaria presenciando mais desgraças...

Por ser pequeno, quase todas as famílias tem um filho ou um membro próximo nas forças de defesa, o que realmente causa absoluta tensão. Perder mais de 30 e ter centenas hospitalizados é pouco? É desproporcional? Minha amiga, correspondente da Globo News, recebeu em seu celular mensagem que eu vi, de uma declaração de um dos chefes do Hamas: que Israel ia ser varrido do mapa, pois assim como os judeus amam a vida, nós amamos a morte. Eles não escondem isso.

Em menor escala, é possível imaginar o governo brasileiro deixando facções criminosas se armarem até os dentes e construírem bunkers entre a população que vive nas densas favelas, tomando-os como reféns, como vinha ocorrendo Complexo do Alemão, no Rio. É verdade que eles dão dinheiro para obras sociais, mas, ao mesmo tempo, aliciam seus filhos para o tráfico e a violência. Infelizmente, é mais ou menos essa a realidade de Gaza, que passou a ser dominada por uma força única e violenta como o Hamas.

Israel, 24 de julho de 2014 


Estatuto do Hamas na íntegra:

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/estatuto-do-hamas/

http://www.beth-shalom.com.br/artigos/estatuto_hamas.html

Educação em Gaza:

http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/2014/08/06/chorao-da-onu-e-desmascarado-na-tv-video-mostraria-escolas-da-entidade-