segunda-feira, 8 de julho de 2013

PONTO FINAL - RESENHA



PONTO FINAL - 2005 (com Scarlett Johansson)

Muito bom de ver, mas... 

Pelo enredo parece que o protagonista amou mesmo a bela Scarlet; amor tipo atração fatal: que tudo suga (olhar, cheiro, modo de falar), amolece o corpo, tonteia e põe a razão de pernas para o ar. Sem dúvida isso pode acontecer. Mas ele também amou a esposa. Não uma atração imediata, mas uma conjunção de fatores: admiração, respeito, convivência familiar, forte apelo à ascenção social e, mais tarde, à manutenção do status quo adquirido. 

Um amor não exclui outro; há muitos tipos de amores. Nesse caso há opções a serem feitas. Só que a vida é cheia de altos e baixos, e relaciomentos afetivos podem às vezes pegar fragilizado, de surpresa ou completamente desprevinido. Agora, chegar às vias de fato é "quase" sempre uma opção. Pois se a decisão de se afastar for tomada logo a princípio é possível cair fora, mas se deixar rolar um pouquinho para ver no que vai dar... conhecer melhor... brincar de sedução, aí pode ser tarde demais. Culturalmente - e dizem que também por natureza- a mulher é mais seletiva. 

Para os dias de hoje, na sociedade ocidental, o final me pareceu forçado, se não, há apenas duas alternativas: ele era um psicopata enrustido ou era um cafajeste frio e calculista - o que não sugere o roteiro, até mesmo pelos conflitos e transtornos que o personagem apresenta durante todo o filme.   

Em um relacionamento atual, ele poderia muito bem largar a esposa e recomeçar uma nova vida com a amada. Ou, se a gravidez o fez cair na real e perceber que tudo não passava de uma paixão fugaz, poderia tentar o perdão da esposa, correndo o risco de ser ou não aceito.
   
Se fosse um filme de época ou acontecido em uma sociedade arcaica, sim, acontecer algo semelhante ao que vimos: amante é amante - mesmo que apaixonado -, mas o resguardo familiar acima de tudo... 

Mas pelo visto o contexto é atual, e por isso não gostei do final. O final é inverossímel. Soa como uma inverdade, ou algo mal escrito. Mais me parece um final forçado para causar impacto, com apelo comercial.

domingo, 7 de julho de 2013

CARMEM: TEMPESTADE DE AREIA NO DESERTO TORNA CARMEM EM CINDERELA



Os israelenses se emocionaram quando, na semana passada, a estrela da ópera local, Naama Goldman, representou o papel de “Carmem”  no megaespetáculo realizado no parque arqueológico de Massada, no deserto da Judeia.

A história de Massada  e de "Carmem"  têm em comum resistências heroicas a um poder maior. No caso dos israelitas, ao domínio romano, após a destruição do Segundo Templo, em 69 EC; em "Carmem", ao poder, representado pelo desprezo a Dom José, seu ex-amante. As duas histórias têm desfecho trágico, com a morte dos heróis. Em Massada os resistentes se suicidam para não caírem nas mãos do inimigo; Carmem é esfaqueada pelo ex-amante.

A produção de “Carmem” em Massada, realizada pela Ópera de Israel , enfrentou vários desafios, entre eles, o de ter uma equipe de 2.500 pessoas trabalhando para criar uma produção teatral em meio às montanhas e o clima desértico. Na semana passada, parece que o clima árido provou ser mais forte que Carmem. Após uma desagradável tempestade de areia durante os ensaios, Anna Malavasi, uma das duas atrizes que representam Carmem,  italiana meio-soprano, declarou não se sentir bem e pediu uma pausa em seu trabalho.

Por causa da extenuante atuação de quatro horas, duas atrizes se revezam nas apresentações.  A segunda Carmem, Nancy Fabiola Herrera, uma espanhola meio-soprano, que já havia representado esse papel em Nova York, Berlim e Londres, estava escalada para o dia seguinte. Assim os israelenses tiveram a grata surpresa de ver a medio-soprano local, Naama Goldman, atuar.

Hila Baggio, outra israelense, que faz o papel de Frasquita, disse que atuar ao ar livre em Massada é ao mesmo tempo mágico e desafiante, pois “o clima seco do deserto prejudica as cordas vocais. Os cantores têm que beber grande quantidade de água e torcer para não precisar ir ao banheiro na hora do show". Além do clima quente, o espaço é muito aberto, dificultando a acústica: "dependemos de microfones, que ampliam as entonações", diz a cantora. E explica que nas casas de ópera a boa acústica dispensa o uso de microfones, e que, normalmente, os movimentos dos maestros podem ser vistos com facilidade, mas em Massada o palco de 3500 metros quadrados é tão grande que ao seu redor foram espalhados monitores para que os cantores possam ver os gestos do maestro Daniel Oren pela TV.

Além do clima, a simples soma de 30 milhões de shekels gastos na produção é outro desafio. De acordo com Hanna Munitz, diretora da Ópera de Israel, esta é a maior produção cultural já realizada no país e uma das maiores do mundo, maior mesmo que “Aída”, encenada no verão do ano passado. A estimativa é de 50 mil espectadores, entre eles 3.500 visitantes do exterior, em seis noites de espetáculo, incluindo o ensaio geral com vestimentas. Os ingresso custam entre 350 a 1300 shekels, e o teatro montado a céu aberto tem capacidade para 7.500 pessoas.

Por estar localizado em um parque arqueológico, toda a infraestrutura do teatro de óperas tem que ser montada e desmontada todo ano, gerando trabalho para 2500 pessoas, durante seis meses. Este ano os designers trouxeram 120 caminhões de areia para criar montes e colinas, 10 cavalos e 7 jumentos para compôr o ambiente de fundo, recriando a atmosfera do século 19 na Espanha.

Segundo Munitz  “A montanha é mágica. A história de Massada é um mito que crescemos ouvindo, isralenses ou não". E que 'Carmem' é um drama universal, pois  “é sobre paixão,  e isso pode acontecer em qualquer lugar, seja em Sevilha ou em Massada".

Um dos momentos mágicos acontece no começo da ópera, quando o público sustém a respiração e as luzes se acendem em estonteante espetáculo. Abaixo de um céu estrelado, entre as vozes dos cantores, percebe-se, no horizonte a frente, a silenciosa sombra da fortaleza de Massada, que se levanta 400 metros acima do Mar Morto que descansa em sua encosta.

Tel Aviv setembro de 2012

MÍSSEL GRAD 122 É LANÇADO CONTRA O SUL DE ISRAEL



A ordem de lançar o míssel que explodiu na madrugada de sexta-feira foi dada pelo Hamas a pedido da Irmandade Muçulmana do Egito. 

O míssel Grad 122 que caiu ao norte de Eilat, sul de Israel, foi lançado da Penísula do Sinai possivelmente por uma unidade de beduínos, segundo informações de oficiais de segurança israelenses.

As autoridades alegam que o Hamas respondeu à solicitação da Irmandade Mulçumana que queria chamar a atenção do eleitor à véspera do segundo turno das eleições presidenciais no Egito.  Até então, os líderes da Irmandade Muçulmana vinham apresentando uma postura moderada em relação a Israel em conversas com a comunidade internacional, reeiterada pelo candidato a presidente Mohamed Morsi que diz não ter intenção de anular os acordos de paz entre os dois países. Em fórum mais reservado, como na reunião em El-Mahalla El-Kubra, no início de maio, os líderes da Irmandade afirmaram, na presença de Morsi, que o candidato ia libertar Jerusalém e que o sonho da Irmandade é a criação das “Nações Árabes Unidas”, com Jerusalém como sua capital. "Nossa capital não será Meca ou Medina, mas Jerusalém, milhões de fiéis marcharão sobre a cidade. O mundo inteiro deve saber - e dizemos isso claramente - o nosso objetivo é Jerusalém, vamos orar em Jerusalém, e se não - vamos morrer como mártires em suas ruínas ", disse Sifwat Hijazi, principal orador da reunião.

Morsi é considerado favorito nas eleições que terminaram ontem. A Irmandade Muçulmana controla 49 por cento dos assentos no parlamento egípcio. Se Morsi for eleito, espera-se uma disputa de forças entre o Conselho Militar e a Irmandade Mulçumana, pois ainda não está definido o alcance dos poderes do novo presidente, nem se sabe se ele será o comandante supremo das Forças Armadas como era o ex-presidente ditador Mubarak.

Em Abril três foguetes Grad foram lançados no entorno de Eilat; em agosto de 2010, cinco, causando a morte de um cidadão jordaniano. Autoridades israelenses têm expressado temor em relação à Península do Sinai ter se tornado campo para experiências de grupos terroristas islâmicos como o Hamas e rota de contrabando de armas da Líbia e do Sudão para a Faixa de Gaza – um desafio para a segurança de Israel que não pode agir nessa área.
Tel Aviv setembro de 2012

MUSEU DO HOLOCAUSTO É PICHADO



Pichações nas paredes e monumentos na entrada do museu: “Obrigado, Hitler, pelo maravilhoso holocausto que organizou para nós; só por sua causa ganhamos da ONU o país”

Um ato de vandalismo chocou os israelenses nesta segunda-feira: 12 pichações com dizeres extremistas foram encontradas pela manhã nas paredes e monumentos na entrada do museu mais visitado do país. A polícia suspeita de um grupo de  jovens religiosos extremistas.

Entre os dizeres podia-se ler: “Israel é o Auschiwtz espiritual dos judeus orientais”,  “Judeus, acordem, o regime sionista do mal nos põe em perigo”,  “Se não existisse Hitler, os sionistas o teriam inventado”, “Sionistas perseguidores! Vocês declararam guerra a Hitler em nome do povo judeu, vocês causaram o holocausto”,  “A liderança sionista queria o Holocausto”,  “Sionistas desgraçados, sobre quem vocês são heróis, sobre os árabes coitados?! O sionismo é o mal de tudo!”. Em algumas pichações assinaram: “O Judaísmo Ortodoxo Mundial”.

Avner Shalev, presidente do museu, disse estar chocado com esse “ato ultrajante de ódio ardente contra o país e o sionisto, de expressão fora dos limites aceitáveis. Isto é muito preocupante”.
Shlav contou que imediatamente informou ao ministro da Educação, Guideon Saar, que se manifestou consternado com a depredação e com o grave conteúdo das pichações: “Quem violou o Museu do Holocausto com esses dizeres deturpados o fez com o objetivo de lesar o sentimento público. Tenho certeza de que a polícia de Israel encontrará os infratores e os levarão a julgamento”.
 
Tel Aviv agosto de 2012

CASAL ARRECADA FUNDOS NA INTERNET PARA COMPRAR CASA PRÓPRIA



Casal israelense arrecada fundos com internautas para realizar o sonho de comprar casa própria na Galileia.

A internet israelense e os meios de comunicação estão agitados com o mais novo furo na rede. Linoy e Ohad Rotem, um casal de classe média como muitos outros que acalentam o sonho de sair do aluguel para a casa própria, arranjaram um modo criativo de conseguir financiamento sem recorrer aos juros bancários.  Abriram uma página em um site israelense, o Headstar (http://www.headstart.co.il/project.aspx?id=538), que arrecada fundos para projetos criativos através da internet, e prometeram devolver todo o montante em doações para comunidade. A iniciativa repercutiu de forma positiva na imprensa, que em véspera de eleições, busca assuntos de interesse social.
Ao som do megasucesso de Dani Bassan, compositor israelense, filho de brasileiro: “Qual foi a última vez que você fez algo para aluguém?”, Linoy e Ohad Rotem, pais de dois filhos pequenos, pedem aos internautas para ajudá-los a realizar o sonho de comprar uma casa na região da Galiléia. Explicam em uma apresentação resumida e bem feita que ambos trabalham, ela é professora e ele tem uma pequena loja de animais, e mesmo assim o dinheiro mal dá para finalizar o mês, e que todo pai deseja um lar estável para os filhos, que a casa que querem construir custa 1 milhão de shekels (aproximadamente meio milhão de reais), mas com empréstimo bancário, ao fim de anos, pagarão o dobro disto, que é o lucro do banco, e perguntam: “Devemos abrir mão de realizar o sonho de ter nossa própria casa? Para isso precisamos da sua ajuda! Nós devolveremos todo o montante em doações para ONGs e associações em prestações mensais fixas. O que você ganha com isto? Primeiro, o sensação imediata de que ajudou uma família jovem realizar o sonho dela. E segundo, não menos importante, todos juntos conseguiremos 1 milhão que será doado e ajudará a muitas outras pessoas. E vocês, doadores, poderão decidir, a cada mês, para onde vai o dinheiro.”
A ideia de buscar recursos junto a desconhecidos pode parecer a princípio inviável, mas em 5 dias, 62 pessoas já fizeram doações entre 100 shekels a 10mil, formando um montante de 57.400 shekels. Conforme as regras do site, o projeto tem um número especificado de dias para atingir seu objetivo, neste caso, faltam 41 dias para expirar. Caso não consiga atingir 1 milhão neste período, os doadores não serão cobrados.
A pergunta que fica é por que razão as pessoas contribuem em projetos de quem nem conhecem? Além de muitos se indentificarem de alguma forma com as dificuldades do casal, eles explicam na página do projeto que em vez de dar dinheiro aos bancos vão devolver mensalmente 3 mil shekels em doações aos necessitados, e este argumento e a identificação com os problemas do casal parecem ser suficientes para sensibilizar e levar ao ato de abrir um cadastro e fazer a doação. É uma forma de fazer o bem, de contribuir para uma sociedade mais justa, de mostrar a insatisfação com o status quo e de crer que o mundo pode ser melhor se cada um contribuir com pouco.  Boa sorte à família Rotem! 

 Outubro de 2012