Alguns líderes europeus e a imprensa ficam atiçando o conflito Israel -Palestina afirmando que esperam reações à declaração de Trump, que em 6 de dezembro reconheceu Jerusalém como a capital de Israel; justificando (e dessa forma também incentivando) que atentados e retaliações aconteçam contra Israel. O que Trump fez foi aplicar a votação de 1995 do Congresso e a ratificação do Senado americanos sobre o assunto, algo que vinha sendo adiado em nome de uma paz e de um acordo que não chegam. Quanto aos israelenses, não houve uma comemoração pública sequer, além da declaração oficial do primeiro-ministro Nathanyahu que disse ser um momento histórico muito importante para Israel, e declarações de alguns políticos para a tv e o rádio. No mais, a vida aqui continua seu curso, Jerusalém continua sendo a capital, reconhecida ou não, e ninguém tem interesse em mexer na ferida dos outros com comemorações infrutíferas. Li vários artigos da imprensa brasileira até bem explicados, mas em todos, quando dizem que Israel ocupou Jerusalém Oriental - à época parte da Jordânia - não mencionam que essa Guerra de Seis Dias em 1967 foi declarada pelos próprios árabes (Egito, Síria e Jordânia apoiados por seus vizinhos), que achavam que destruiriam Israel em dois tempos; deixando parecer que Israel abriu guerra para conquistar Jerusalém. E o que aconteceu foi que Israel reagiu ao ataque de seus vizinhos, expulsando-os e ocupando espaços que lhe garantisse fronteiras naturais mais seguras, como a penísula do deserto de Sinai (do Egito), as montanhas do Golan (da Síria) e a Cisjordânia (da Jordânia). Também não lembram que enquanto Jerusalém esteve sob a soberania dos islâmicos até 1967, nem judeus nem cristãos podiam peregrinar livremente pelos lugares sagrados para as 3 religiões, e que hoje cada povo tem acesso garantido pelo Estado de visitar e de rezar em lugares sagrados. Os artigos também não lembram, que no acordo de paz com o Egito, Israel devolveu o Sinai; que no acordo com a Jordânia, a Jordânia não quis ficar com a Cisjordânia e assinou acordo de paz ciente de que Jerusalém era a capital de Israel. Tanto é que até hoje, a Jordânia que responde pelos lugares sagrados islâmicos em Jerusalém e não a Autoridade Palestina. Na linha da Síria, Assad pai nem o filho demonstraram interesse em reconhecer o Estado judeu e assinar acordo de paz, portanto o Golan continua sob a jurisdição de Israel. Gaza, Israel entregou à Autoridade Palestina simplesmente saindo de lá; e o Hamas tomou conta em guerra sangrenta contra a Autoridade Palestina; hoje costuram um acordo de paz, mas são dois estados (um do Hamas e outro do Fatah) separados dentro da barriga de Israel. Também não têm interesse em contar que até 1917, toda essa região pertencia ao Império Turco e não havia A Palestina, e depois da I Guerra a região foi divida nos atuais países e reinos, ficando a Inglaterra com essa região. Haviam tribos regionais. Foi Arafat que criou o movimento para a união nacional da Palestina, liderado pelo grupo Fatah que hoje está no poder tendo como lider Abu Mazen. Também não dizem que dos 8 milhões de israelenses, 2 milhões são minorias árabes de diferentes matizes como drusos, cristãos e islâmicos que têm identidade israelense e direto de voto para eleger seus representantes ao parlamento. Enfim, parece que a política da imprensa é sempre compreender e justificar que os palestinos estão no direito de cometer atentados e retaliar o país enquanto não chegam a um acordo de paz.
Texto de Raquel Teles Yehezkel. Publicado em primeira mão no Facebook, em 8 de dezembro de 2017, às 16h07.
domingo, 10 de dezembro de 2017
sábado, 9 de dezembro de 2017
Batalha de Jerusalém: sobre a tomada de Jerusalém aos turcos em 1917
Batalha de Jerusalém: sobre a tomada de Jerusalém aos turcos em 1917.
A Palestina pertenceu ao Império Otomano da Turquia por centenas de anos, cerca de cinco séculos, até o fim da I Grande Guerra, quando esse império entrou em declínio por causa das lutas nacionalistas em diversas regiões do Império; e tendo a Turquia apoiado a Alemanha para lutar contra os russos na região da Crimeia, perdeu a Palestina para os britânicos em 1917. Desde então, 1917, a Inglaterra assinou a Declaração de Balfour: intenção de construir aqui um "Lugar Nacional para os Judeus". Que desde os pogroms na Rússia e depois da ascenção de Hiler ao poder em 1933 passaram a chegar à região em grande número. O censo regional realizado em 1922 mostra então uma população de 750 mil habitantes, sendo a grande maioria de multietnias árabes de fé islâmicas (entre eles 100 mil beduínos no Sul na região de Beer Sheva), como também que 11% dessa população já era de judeus, e havia uma minoria de drusos, egipcios, sírios, gregos, caucásticos e árabes da região da Arábia. O general inglês Allenby, na I Guerra tomou a região aos turcos, e ela foi dividida nos distritos de: Acre, Galileia, Gaza, Haifa, Lydda e Samaria; e a Transjordânia (que englobava Jerusalém antiga e sua parte oriental e que tornou-se reino da Jordânia por concessão britânica em 1946, no final da II Guerra) designando o inglês judeu Herbert Samuel como o primeiro governador do mandato britânico. Claro, os árabes da região nunca aceitaram o mandato britânico e muito menos o "Lugar Nacional dos Judeus" já mencionado na Declaração de Balfour em 1917. A maioria deles nem pretendem reconhecer nunca. Israel sobrevive à revelia de seus milhões de vizinhos árabes no Oriente Médio.
Texto de Raquel Teles Yehezkel. Publicado em primeira mão no Facebook em 9 de dezembro de 2017.
Referências:
Wikipédia: Batalha de Jerusalém 1917
perseo.sabuco.com/historia.mantatobritanico.pdf
A Palestina pertenceu ao Império Otomano da Turquia por centenas de anos, cerca de cinco séculos, até o fim da I Grande Guerra, quando esse império entrou em declínio por causa das lutas nacionalistas em diversas regiões do Império; e tendo a Turquia apoiado a Alemanha para lutar contra os russos na região da Crimeia, perdeu a Palestina para os britânicos em 1917. Desde então, 1917, a Inglaterra assinou a Declaração de Balfour: intenção de construir aqui um "Lugar Nacional para os Judeus". Que desde os pogroms na Rússia e depois da ascenção de Hiler ao poder em 1933 passaram a chegar à região em grande número. O censo regional realizado em 1922 mostra então uma população de 750 mil habitantes, sendo a grande maioria de multietnias árabes de fé islâmicas (entre eles 100 mil beduínos no Sul na região de Beer Sheva), como também que 11% dessa população já era de judeus, e havia uma minoria de drusos, egipcios, sírios, gregos, caucásticos e árabes da região da Arábia. O general inglês Allenby, na I Guerra tomou a região aos turcos, e ela foi dividida nos distritos de: Acre, Galileia, Gaza, Haifa, Lydda e Samaria; e a Transjordânia (que englobava Jerusalém antiga e sua parte oriental e que tornou-se reino da Jordânia por concessão britânica em 1946, no final da II Guerra) designando o inglês judeu Herbert Samuel como o primeiro governador do mandato britânico. Claro, os árabes da região nunca aceitaram o mandato britânico e muito menos o "Lugar Nacional dos Judeus" já mencionado na Declaração de Balfour em 1917. A maioria deles nem pretendem reconhecer nunca. Israel sobrevive à revelia de seus milhões de vizinhos árabes no Oriente Médio.
Texto de Raquel Teles Yehezkel. Publicado em primeira mão no Facebook em 9 de dezembro de 2017.
Referências:
Wikipédia: Batalha de Jerusalém 1917
perseo.sabuco.com/historia.mantatobritanico.pdf
terça-feira, 25 de julho de 2017
Monte da Mesquita Al-Aqsa em Jerusalém e a polêmica dos detectores de metais
Há uma semana, em 14 de julho de 2017, dois soldados israelenses foram assassinados quando faziam a guarda comum no Monte da Mesquita Al-Aqsa em Jerusalém, ponto nevrálgico da cidade, pois fica no alto, onde era Antigo Templo de Salomão, tendo a seus pés o Muro das Lamentações, lugar mais visitado de Israel. Após a morte dos soldados na semana passada, o governo de Israel decidiu colocar detectores de metais na entrada do Monte da Mesquita Al-Aqsa, conhecido por Har HaBait / Monte do Templo entre os israelenses. Isso causou um comoção geral entre população palestina, incitada durante toda a semana pela Autoridade Palestina e pelo Hamas a não aceitarem mudança no status quo do Monte da Mesquita Al-Aqsa. Na verdade não se pretende mudar o status quo, mas não permitir a entrada de pessoas armadas no local, como é atualmente em todos os lugares públicos como aeroportos do mundo, monumentos importantes na França, e aqui em shoppings, Muro das Lamentações, Túmulos dos Patriarcas em Hebron, monumentos cristãos nas cidades da Galileia, enfim, em locais públicos espalhados pelo país. Sexta-feira é o dia mais importante na reza muçulmana. Durante toda a semana anunciaram no rádio para a população palestina não ir rezar em suas mesquitas, as quais estariam fechadas para que todos fossem rezar em Jerusalém, na Mesquita Al-Aqsa. Isso gerou ontem uma tensão nas barreiras que cercam o acesso a Jerusalém e também o acesso ao Monte da Mesquista Al-Aqsa, já que a polícia israelense tinha que fazer revistas para não haver entrada de armas, seja na cidade ou no Monte Al-Aqsa. Foi uma comoção geral. Nessas barreiras e em Jerusalém houve confrontos diretos entre a polícia e palestinos com pedras, fogos de artifícios e coquetel molotov em garrafas e a polícia. Nos confrontos de ontem 3 jovens palestinos morreram. De noite, um rapaz palestino invadiu uma casa de família em um assentamento, matando violentamente um senhor de 75 anos e seus 2 filhos adultos, reunidos para a celebração do Shabat. A mulher e as crianças, que estavam no andar de cima se preparando para dormir, foram poupados, pois um vizinho, ouvindo os gritos de socorro, entrou e matou o jovem terrorista palestino. Israel está tentando acalmar os ânimos, mas não creio que vá desistir de colocar dedectores de metal na entrada do Monte da Mesquita Al-Aqsa. Sendo o Muro das Lamentações debaixo do Monte, lá de cima de pode jogar pedras ou outros objetos nas pessoas embaixo. Assim, a manutenção da ordem em cima e embaixo é fundamental para que toda a população palestina possa continuar a fazer suas orações em Al-Aqsa e para que os judeus e os visitantes do mundo inteiro possam ter acesso seguro ao Muro das Lamentações. À princípio seria muito lógico colocar detectores de metal na entrada do Monte da Mesquita, assim como já tem na entrada para o Muro das Lamentações, pois é assim que, infelizmente, funciona hoje os lugares públicos no mundo inteiro. No entanto penso que quem tem que colocar detectores e revistar a entrada do Monte da Al-Aqsa seja a própria Autoridade Palestina e não Israel. Mas, certamente, a Autoridade Palestina não quer tal proposta e muito menos Israel, que pretende ter o controle em suas mãos. Atualmente a guarda de Jerusalém é toda de Israel. Só além os muros que cercam o lado Leste da cidade é de responsabilidade Autoridade Palestina. No Monte, a guarda é partilhada, só que a guarda da palestina é desarmada. Israel responsabiliza a Autoridade Palestina pelos desastres de ontem, afirmando que os detectores de metais não constituem mudança no status quo que regula o funcionamento do local, já que os palestinos continuarão com acesso normal ao Monte. Culpa também a Autoridade por incitar, durante toda a semana, os palestinos a subir a Jerusalém para as rezas de sexta, aumentando a tensão já intensa e a confusão de modo geral. Pelo lado palestino, eles afirmam que os detectores de metais são sim uma mudança no comando que regula o acesso ao local, portanto no status quo atual. O Monte do Templo, para os judeus, ou Monte da Mesquita Al-Aqsa, para os muçulmanos, é sem dúvidas o cerne do Mundo. O encontro das três religiões monoteístas, que segundo a crença, é o local do altar em que Abraão sacrificaria o filho Isaac e o Senhor o teria impedido de fazê-lo.
domingo, 9 de julho de 2017
Influências culturais brasileiras na sociedade israelense
"Tudo Bom", música de Static e Ben-El Tavori, tem dado pano pra manga... Vamos lá.
Em 7.7.2017, a jornalista Daniela Kresch escreveu para a Folha de São Paulo um artigo sobre o sucesso dessa música e explica a influência da música brasileira na sociedade isralense. Porém, não concordo, de forma alguma, que o reavivamento da música brasileira em Israel se tenha dado por causa do hit Tudo Bom e da dupla Static e Ben-El.
Muitas pessoas me dizem que depois da inauguração do Centro Cultural Brasileiro em Tel Aviv em 2014, a música brasileira tem se revigorado em Israel. Mas também não creio que seja isso. Acredito na força conjunta de um movimento cultural muito maior, vindo de baixo para cima, da conjunção de bons e de pequenos trabalhos de muitos brasileiros em Israel nos últimos anos.
Diferente dos anos 70 aos 90, em se pode indicar aqueles que traziam a música brasileira para Israel, como Eli Israeli e Dubi Lenz no rádio, Mati Caspi, Or Harpaz, Ilanit, o grupo Coco Loco, os Barzellais no showbiz, o Centro Yedidut Brasil Israel dos Warsseman com a Beth, Clara a Ida, agora são nomes menores, mas constantes na cena cultural isralense, como Sambadobom, Joca Perpignan, Marcelo Nami, Elisete Retter, Timna Comedi, Noa Peled, Paulinho Ferreira organizando grandes noites de forró, Andre Golovaty, Daniel Ring, Chorolê e a Roda de Choro que já recebeu centenas de músicos israelenses; o programa Kessem Brasilai de Rachely Scapa na radio Sol; o CCB Tel Aviv que já ensinou português e cultura brasileira a centenas de israelenses, com eventos e atuação frequente nas redes sociais; o grupo Batucada Amazonas há 20 anos no mercado, a Silvinha em eventos, também há 20 anos, o Juares, o Giba, Ba Freyre, Fernando Seixas que fazem frequentes shows para grandes públicos; o Reuvem Shavit, israelense que ama a música brasileira e a divulga no Facebook; o grupo Tupinikim que acompanhou a seleção dos paralímpicos israelenses até o aeroporto; a Liza do Zouk Lambada, que ensina danças brasileiras; o Yuval Yonayoff em seu incrível barzinho brasileiro Na Favela; artistas plásticos de renome como Eunice Figueiredo, Maly Melon, Denise Filliez e outros; arquitetos brasileiros reconhecidos como Vittorio Corinaldi, Sérgio Lerman e muitos outros; traduções recentes de literatura brasileira para o hebraico, como Guimarães Rosa, Nelson Rodrigues, Charles Kiefer, Daniel Galera e Ronaldo Wrobel, para citar as últimas; o Leitorado de língua e literatura brasileira na Universidade Hebraica; e, principalmente, os muitos grupos de capoeira e de jiu-jitsu, influenciando centenas de crianças e de jovens israelenses.
Enfim, acredito ser um movimento cultural maior, também de brasileiros anônimos que fizeram aliá (imigração) nos últimos anos e têm sobressaído, com sua criatividade, em campos diversificados, levando à frente uma imagem positiva da rica e variada cultura brasileira. Centenas de pessoas trabalhando diariamente, até que então vem uma dupla, no auge de sua popularidade e bem empresariada, e colhe os frutos plantados em terra fértil por todo esse coletivo. Não deixa de ser muito positivo, de ser um reflexo do trabalho de todos esses brasileiros em Israel.
Texto de Raquel Teles Yehezkel
Acessado em 9.7.2017:
www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/01/1899008-dupla-israelense-canta-funk-em-portugues-e-vira-maior-hit-do-país.shtml
Em 7.7.2017, a jornalista Daniela Kresch escreveu para a Folha de São Paulo um artigo sobre o sucesso dessa música e explica a influência da música brasileira na sociedade isralense. Porém, não concordo, de forma alguma, que o reavivamento da música brasileira em Israel se tenha dado por causa do hit Tudo Bom e da dupla Static e Ben-El.
Muitas pessoas me dizem que depois da inauguração do Centro Cultural Brasileiro em Tel Aviv em 2014, a música brasileira tem se revigorado em Israel. Mas também não creio que seja isso. Acredito na força conjunta de um movimento cultural muito maior, vindo de baixo para cima, da conjunção de bons e de pequenos trabalhos de muitos brasileiros em Israel nos últimos anos.
Diferente dos anos 70 aos 90, em se pode indicar aqueles que traziam a música brasileira para Israel, como Eli Israeli e Dubi Lenz no rádio, Mati Caspi, Or Harpaz, Ilanit, o grupo Coco Loco, os Barzellais no showbiz, o Centro Yedidut Brasil Israel dos Warsseman com a Beth, Clara a Ida, agora são nomes menores, mas constantes na cena cultural isralense, como Sambadobom, Joca Perpignan, Marcelo Nami, Elisete Retter, Timna Comedi, Noa Peled, Paulinho Ferreira organizando grandes noites de forró, Andre Golovaty, Daniel Ring, Chorolê e a Roda de Choro que já recebeu centenas de músicos israelenses; o programa Kessem Brasilai de Rachely Scapa na radio Sol; o CCB Tel Aviv que já ensinou português e cultura brasileira a centenas de israelenses, com eventos e atuação frequente nas redes sociais; o grupo Batucada Amazonas há 20 anos no mercado, a Silvinha em eventos, também há 20 anos, o Juares, o Giba, Ba Freyre, Fernando Seixas que fazem frequentes shows para grandes públicos; o Reuvem Shavit, israelense que ama a música brasileira e a divulga no Facebook; o grupo Tupinikim que acompanhou a seleção dos paralímpicos israelenses até o aeroporto; a Liza do Zouk Lambada, que ensina danças brasileiras; o Yuval Yonayoff em seu incrível barzinho brasileiro Na Favela; artistas plásticos de renome como Eunice Figueiredo, Maly Melon, Denise Filliez e outros; arquitetos brasileiros reconhecidos como Vittorio Corinaldi, Sérgio Lerman e muitos outros; traduções recentes de literatura brasileira para o hebraico, como Guimarães Rosa, Nelson Rodrigues, Charles Kiefer, Daniel Galera e Ronaldo Wrobel, para citar as últimas; o Leitorado de língua e literatura brasileira na Universidade Hebraica; e, principalmente, os muitos grupos de capoeira e de jiu-jitsu, influenciando centenas de crianças e de jovens israelenses.
Enfim, acredito ser um movimento cultural maior, também de brasileiros anônimos que fizeram aliá (imigração) nos últimos anos e têm sobressaído, com sua criatividade, em campos diversificados, levando à frente uma imagem positiva da rica e variada cultura brasileira. Centenas de pessoas trabalhando diariamente, até que então vem uma dupla, no auge de sua popularidade e bem empresariada, e colhe os frutos plantados em terra fértil por todo esse coletivo. Não deixa de ser muito positivo, de ser um reflexo do trabalho de todos esses brasileiros em Israel.
Texto de Raquel Teles Yehezkel
Acessado em 9.7.2017:
www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/01/1899008-dupla-israelense-canta-funk-em-portugues-e-vira-maior-hit-do-país.shtml
domingo, 2 de julho de 2017
Cristo, Messianinsmo e Hassidismo
Muitos perguntam como o judaísmo vê Jesus Cristo. Eu não saberia responder com precisão, mas gosto de pensar a questão sob a perpectiva do hassidismo ao longo da história. Assim, talvez fosse possível pensar Jesus como um judeu estudioso, sábio, praticante das leis mosaicas, já que criado em lar judaico - lembrando que naquele tempo todos eram praticantes.
De modo geral, o judaísmo não segue uma linha de poder hierarquizada, apesar do destaque dado a Moisés - que recebeu de Deus a Torá -, aos Juízes, aos Reis e aos Cohen (Cohanim / Sacerdotes) da época do Grande Templo, seus sucessores não foram seus descendentes, mas aqueles merecedores de tais posições. Assim, no judaísmo, os mais altos rabinos são aqueles considerados os sábios e os justos de cada geração. E há muitos na história do povo judeu, tão justos (tzadik / tzadikim no plural) que foram capazes de realizar milagres e transformações.
Nessa concepção, Jesus teria sido um sábio, um justo de sua época, com muitos seguidores, como é comum até hoje entre os grandes rabinos. Como foram Nathan de Gaza, Ari HaKadosh, Baal Shem Tov e mais recentemente o Rabino de Lubavitch, o Baba Saly, o Rabino Ovadia Yossef, que faleceu há alguns anos, levando às ruas de Jerusalém um milhão de pessoas, entre seguidores e admiradores. Na religião judaica, os rabinos sábios / tzadikim têm seguidores / hassidim, que, após a morte do mestre, continuam honrando sua memória e divulgando seus ensinamentos. Nessa linha de pensamento, sendo Jesus um estudioso da Torá e um sábio, ele teria muitos seguidores, um costume na tradição judaica.
Na tradição cristã, conta-se que, aos 13 anos, Jesus estava pregando para um grupo de sacerdotes que se encantou com seu saber. Sabe-se que aos 13 anos comemora-se o Bar Mitzva, quando o jovem recebe a maioridade frente à comunidade religiosa e sobe ao bimá/ palco para ler e falar sobre a porção da Torá daquela semana. Portanto, supõe-se que Jesus fez o Bar Mitzva, como manda a tradição judaica. E, como é o costume até hoje, toda reunião de pessoas deve ser também uma oportunidade de ensinar a palavra de Deus. Daí pode-se depreender que Jesus era um jovem aluno inteligente e carismático. Depois dessa passagem, ele volta a aparecer já adulto. Pressupõe-se que tenha estudado com sábios da Torá nesse período, como é o costume desde esses tempos até hoje; e o que seria provável a um descendente da casa de David, como acredita-se que ele tenha sido.
Finalizando, sob essa perspectiva, Jesus seria um bom judeu, o que significaria que viveu e morreu como judeu. Apesar de questionar alguns costumes, não teria sido ele o fundador de uma nova religião, mas seus discípulos, que, mudando as leis segundo inferiram das pregações de Jesus, fundaram o cristianismo, que na etimologia grega significa messianismo. Ou seja, para seus seguidores, Cristo teria sido o Messias tão esperado no judaísmo. Porém, para os judeus que não eram seus seguidores, ele não poderia ter sido o messias, já que, segundo as citações do Antigo Testamento não cumpriu todos os quesitos citados para sê-lo.
Assim, sob esse enfoque, Jesus teria sido um bom judeu, que viveu e morreu como judeu, um justo e sábio de sua geração, um tzadik, como se diz em hebraico.
De modo geral, o judaísmo não segue uma linha de poder hierarquizada, apesar do destaque dado a Moisés - que recebeu de Deus a Torá -, aos Juízes, aos Reis e aos Cohen (Cohanim / Sacerdotes) da época do Grande Templo, seus sucessores não foram seus descendentes, mas aqueles merecedores de tais posições. Assim, no judaísmo, os mais altos rabinos são aqueles considerados os sábios e os justos de cada geração. E há muitos na história do povo judeu, tão justos (tzadik / tzadikim no plural) que foram capazes de realizar milagres e transformações.
Nessa concepção, Jesus teria sido um sábio, um justo de sua época, com muitos seguidores, como é comum até hoje entre os grandes rabinos. Como foram Nathan de Gaza, Ari HaKadosh, Baal Shem Tov e mais recentemente o Rabino de Lubavitch, o Baba Saly, o Rabino Ovadia Yossef, que faleceu há alguns anos, levando às ruas de Jerusalém um milhão de pessoas, entre seguidores e admiradores. Na religião judaica, os rabinos sábios / tzadikim têm seguidores / hassidim, que, após a morte do mestre, continuam honrando sua memória e divulgando seus ensinamentos. Nessa linha de pensamento, sendo Jesus um estudioso da Torá e um sábio, ele teria muitos seguidores, um costume na tradição judaica.
Na tradição cristã, conta-se que, aos 13 anos, Jesus estava pregando para um grupo de sacerdotes que se encantou com seu saber. Sabe-se que aos 13 anos comemora-se o Bar Mitzva, quando o jovem recebe a maioridade frente à comunidade religiosa e sobe ao bimá/ palco para ler e falar sobre a porção da Torá daquela semana. Portanto, supõe-se que Jesus fez o Bar Mitzva, como manda a tradição judaica. E, como é o costume até hoje, toda reunião de pessoas deve ser também uma oportunidade de ensinar a palavra de Deus. Daí pode-se depreender que Jesus era um jovem aluno inteligente e carismático. Depois dessa passagem, ele volta a aparecer já adulto. Pressupõe-se que tenha estudado com sábios da Torá nesse período, como é o costume desde esses tempos até hoje; e o que seria provável a um descendente da casa de David, como acredita-se que ele tenha sido.
Finalizando, sob essa perspectiva, Jesus seria um bom judeu, o que significaria que viveu e morreu como judeu. Apesar de questionar alguns costumes, não teria sido ele o fundador de uma nova religião, mas seus discípulos, que, mudando as leis segundo inferiram das pregações de Jesus, fundaram o cristianismo, que na etimologia grega significa messianismo. Ou seja, para seus seguidores, Cristo teria sido o Messias tão esperado no judaísmo. Porém, para os judeus que não eram seus seguidores, ele não poderia ter sido o messias, já que, segundo as citações do Antigo Testamento não cumpriu todos os quesitos citados para sê-lo.
Assim, sob esse enfoque, Jesus teria sido um bom judeu, que viveu e morreu como judeu, um justo e sábio de sua geração, um tzadik, como se diz em hebraico.
domingo, 21 de maio de 2017
MULHERES FAZEM PAZ
MULHERES FAZEM PAZ - por Raquel Teles Yehezekel
Hoje, em Tel Aviv, participei de um encontro entre mulheres palestinas e israelenses. O encontro foi promovido pelas "Mulheres Fazem Paz", um grupo de mulheres que se encontram para promover a paz entre israelenses e palestinas. O encontro hoje foi na Sderot Rothshield, em Tel Aviv. As palestinas chegaram em ônibus das regiões de Shehen, Hebron, Nablus e outras partes do território palestino. Eu e minha amiga Lais Rosal participamos de uma mesa com mulheres israelenses e palestinas de Shechen: duas mulheres, duas jovens e duas adolescentes. Cada uma de nós se apresentou e falou sobre suas esperanças de paz e sugeriu passos para que se possa construir pontes de confiança entre as partes. Na nossa mesa, as palestinas pediram: liberdade gradativa dos prisioneiros palestinos; destituição de postos e barreiras de checagens em seu território; e que a polícia cuide não apenas dos atos de violência dos palestinos, mas também dos assentamentos judaicos. As mulheres israelenses pediram para parar os atos de violência contra a população; para aqueles que são a favor da paz manifestarem esse desejo de forma aberta, em manifestações, para que esse movimento possa crescer; e uma educaçao pela paz. O encontro em árabe e hebraico foi mediado por um tradutor. Foi servido almoço e bebidas para todos. Ambos os lados expressaram saudades de um tempo no qual se podia transitar com confiança por lugares e cidades, de um lado ou outro. A intenção do encontro é a divulgação, em cada lado, das metas propostas. As dirigentes do movimento "Mulheres Fazem a Paz" levarão essas propostas para parlamentares de ambos os lados. Pode não sair muito daí, mas o mais importante são as micropontes construídas entre as pessoas, saber que há muitos, de ambos os lados, que pensam como nós e que estão dispostos a construir pontes. E, claro, não desistir nunca do outro, da esperança e da paz.
Petah Tikva 19 de maio de 2017
Hoje, em Tel Aviv, participei de um encontro entre mulheres palestinas e israelenses. O encontro foi promovido pelas "Mulheres Fazem Paz", um grupo de mulheres que se encontram para promover a paz entre israelenses e palestinas. O encontro hoje foi na Sderot Rothshield, em Tel Aviv. As palestinas chegaram em ônibus das regiões de Shehen, Hebron, Nablus e outras partes do território palestino. Eu e minha amiga Lais Rosal participamos de uma mesa com mulheres israelenses e palestinas de Shechen: duas mulheres, duas jovens e duas adolescentes. Cada uma de nós se apresentou e falou sobre suas esperanças de paz e sugeriu passos para que se possa construir pontes de confiança entre as partes. Na nossa mesa, as palestinas pediram: liberdade gradativa dos prisioneiros palestinos; destituição de postos e barreiras de checagens em seu território; e que a polícia cuide não apenas dos atos de violência dos palestinos, mas também dos assentamentos judaicos. As mulheres israelenses pediram para parar os atos de violência contra a população; para aqueles que são a favor da paz manifestarem esse desejo de forma aberta, em manifestações, para que esse movimento possa crescer; e uma educaçao pela paz. O encontro em árabe e hebraico foi mediado por um tradutor. Foi servido almoço e bebidas para todos. Ambos os lados expressaram saudades de um tempo no qual se podia transitar com confiança por lugares e cidades, de um lado ou outro. A intenção do encontro é a divulgação, em cada lado, das metas propostas. As dirigentes do movimento "Mulheres Fazem a Paz" levarão essas propostas para parlamentares de ambos os lados. Pode não sair muito daí, mas o mais importante são as micropontes construídas entre as pessoas, saber que há muitos, de ambos os lados, que pensam como nós e que estão dispostos a construir pontes. E, claro, não desistir nunca do outro, da esperança e da paz.
Petah Tikva 19 de maio de 2017
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