Por Raquel Teles Yehezkel
Henrique da Silveira Sardinha Pinto, mineiro de Belo Horizonte, é o novo embaixador do Brasil em Israel, empossado em 10 de outubro, quando apresentou suas credenciais ao governo israelense em cerimônia oficial na residência do presidente Shimon Peres. Em seu encontro com o presidente, ressaltou a boa relação entre Brasil e Israel, citou o exemplo da boa convivência entre árabes e judeus no Brasil e disse ter orgulho de o Brasil ter participado na formação do estado judeu com o voto de Oswaldo Aranha na ONU, em 1948.
Acompanhando minha amiga
jornalista Daniela Kresch, fomos recebidas em 22 de outubro de 2013, na
Embaixada do Brasil em Tel Aviv pelo simpático embaixador Henrique Sardinha,
seu secretário Sérgio Ricoy, que o acompanha há mais de uma década, e pelo
secretário da Embaixada, Alexandre Campello Siqueira. Em conversa agradável, o
embaixador disse ter se sentido lisonjeado profissionalmente ao ser indicado
para o cargo, “pois se trata de uma experiência rica e ao mesmo tempo de uma
tarefa difícil, devido ao contexto complexo da região”.
Henrique Sardinha Pinto
acumulou muita experiência em sua vida diplomática. Além de conselheiro em Nova
York, nos últimos 3 anos foi embaixador do Brasil na Argélia, presenciando in
locum a Primavera Árabe argelina. Como chefe da Divisão de Promoção
Comercial e Investimento do Itamaraty, esteve na comitiva que acompanhou o
Ministro Celso Amorim na visita ao Irã em 2008, então sob o comando do
presidente Ahmadinejad; no Iraque, participou da evacuação da Embaixada
brasileira antes e depois da Guerra do Golfo.
Sardinha Pinto, que veio
ocupar o lugar deixado por Maria Elisa Berenguer, reconhece que há uma
limitação comercial entre os dois países, que Israel é um mercado relativamente
pequeno e que a balança comercial é deficitária a favor de Israel, mas acredita
que muito ainda pode ser feito no sentido de melhorar esta relação. Um exemplo
disso é o acordo de cooperação tecnológica vigente entre os dois países,
principalmente nas áreas da agroindústria, tecnologia, medicina e tratamento de
água, inserido no Plano Brasil Maior (PBM), que tem como meta aumentar o
investimento privado em pesquisa e desenvolvimento (P&D). (Para mais
informações veja o site: http://www.desenvolvimento.gov.br/sitio/interna/noticia.php?area=3¬icia=12753).
Com pouco tempo no país, a
agenda do embaixador já está bem movimentada. Participou da primeria reunião do
Parlamento israelense, que abriu as sessões de inverno, reabertura oficial das
sessões parlamentares após as festas do Ano Novo judaico; das comemorações da
primeira semana de luto pelo falecimento do líder religioso Rabino Ovadia
Yossef, (http://raquelyehezkel.blogspot.co.il/2013/10/rabino-ovadia-yossef-recolhido-ao.html); e participou de um
almoço comemorativo no fechamento de um acordo entre o governador do Ceará, Cid
Gomes, e o Ministro da Economia de Israel, Naftali Bennett, para a instalação
de uma fazenda modelo em Quixeramobim, que receberá equipamentos e treinamento
de técnicos israelenses para a implantação de novas tecnologias na agroindústria
do Ceará.
Sentados no 30º andar de um
edifício moderno, de esquadrias de alumínio e vidro, com uma vista estonteante
sobre o mar Mediterrâneo, tendo ao Sul um dos portos mais antigos do mundo, o
porto de Jafa/Yafo, cidade que abriga em sua maioria uma população árabe, e ao
Norte a efervescente e moderna Tel Aviv, perguntamos ao embaixador a sua
opinião sobre o processo de paz entre Israel e os palestinos. Muito cuidadoso
com as palavras, fez questão de reafirmar o total apoio do Brasil à iniciativa do
secretário norteamericano John Kerry, mas não deixou de expressar sua esperança
na conquista de um acordo que, como na experiência brasileira, possa trazer uma
convivência pacífica entre esses dois povos de culturas milenares.
otimo artigo. parabens!
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