sábado, 1 de fevereiro de 2014

ISRAEL, HOMOSSEXUALIDADE, FAMÍLIA E O FINAL DA NOVELA DA REDE GLOBO

Raquel Teles Yehezkel


 
Alguns motivos me levaram a escrever este artigo sobre a questão da homossexualidade e a constituição familiar na vida moderna. O primeiro foi o impasse surgido no último mês entre a mudança na legislação tailandesa que passou  a proibir a barriga de aluguel em troca de pagamento e casais israelenses que se viram, por este motivo, impedidos de trazer os filhos que nasceram ou que estão em gestação neste momento - ao todo, 65 bebês. O segundo, foi a postagem de uma foto de família de um colega de trabalho no Facebook: ele, o companheiro e a filha de um ano e meio, gerada pelo sistema de barriga de aluguel nos Estados Unidos, em comemoração ao Dia da Família, algo como juntar o Dia dos Pais e o Dia das Mães numa mesma data, ontem, 31 de janeiro. O último, foi o fim de uma novela da Rede Globo, “Amor à vida”, que não vi, mas sobre a qual li algumas postagens no mesmo Facebook, com comentários contras e a favor, mas principalmente a favor, a qual teria terminado com um beijo de um casal homossexual. Estes acontecimentos me despertaram a vontade de compartilhar com leitores brasileiros alguns dados surpreendentes sobre a homossexualidade em Israel que a maioria das pessoas desconhece.

Israel é o país que mais possui famílias constituídas com pais do mesmo sexo. E Tel Aviv foi eleita a "melhor cidade gay" do mundo pelo site "Gaycities". É comum ver casais, famílias, gays assumidos em todos os segmentos profissionais, com grande sucesso. Para dar um exemplo, no jardim de infância onde trabalho temos algumas famílias que se encaixam neste perfil e também professores, incluindo o amigo que citei acima. Não se pode dizer que não existe este tipo de preconceito, há também, já que o homossexualismo não é permitido dentro da concepção religiosa judaica, que o reconhece, mas julga que deve ser subjugado. Mas, de modo geral, parece ser melhor aceito que em outras sociedades, pois, cada vez mais, aumenta o número das famílias com casais do mesmo sexo, que levam uma vida normativa, sem caricaturas ou estereótipos, simplesmente pessoas comuns. Por a família desempenhar um papel central na tradição judaica, talvez os casais gays procurem o mesmo modelo, que parece funcionar com certa facilidade.

Aqui, a união homossexual é reconhecida por lei e um dos pais recebe a “licença maternidade”.  O sistema de barriga de aluguel, de congelamento de óvulos, sêmen e ovos há muito é legal e utilizado por casais com problemas de fertilidade ou por pessoas que por diversas razões os guardam para mais tarde. A partir deste ano, será também permitida a utilização da barriga de aluguel entre casais homossexuais, promessa da ministra da Saúde, Yael German ( http://www.ynet.co.il/articles/0,7340,L-4463901,00.html ). Com isso, o governo pretende equiparar os direitos entre todos os tipos de união conjugal e, quem sabe, diminuir a corrida a outros países atrás de uma barriga de aluguel. Anualmente, 100 casais israelenses se utilizam do processo de sub-rogação em outros países que também admitem esse sistema: Estados Unidos, Índia, Ucrânia, Geórgia, México e Tailândia. Mas a questão principal continua sendo o custo da operação, que pode variar entre 400 mil dólares nos Estados Unidos a 150 mil dólares na Geórgia ou na Índia. Em Israel o processo custa em torno de 70 mil dólares, mas há uma fila de espera imensa, por falta de mulheres que se disponham a tal.

Neste momento, na Tailândia, encontram-se 13 bebês israelenses nascidos após a nova legislação e mais 50 que ainda nascerão. Ontem, antes da entrada do Shabat, após um acordo de urgência costurado entre o governo israelense e autoridades tailandesas no qual as mães de aluguel tailandesas deverão assinar um documento abrindo mão da maternidade, chegaram ao aeroporto Ben Gurion dois bebês que tiveram ampla recepção de familiares e dos meios de comunicação - um happy-end ao impasse.

Quanto ao meu amigo, ele e sua família são mais que queridos e aceitos na escola, na família e no meio em que vivem. E à novela só tenho uma coisa a dizer àqueles que se mostraram contra o final feliz do casal homossexual: o amor não tem gênero, ele existe entre mulheres, entre homens, entre pais e filhos, entre amigos, do mesmo sexo ou de sexos diferentes. Não espere a homossexualidade bater à porta de sua pequena família para se colocar no lugar do outro.


Fontes:

Acessados em 01.02.2014:

http://www.ynet.co.il/articles/0,7340,L-4469362,00.html
http://www.ynet.co.il/articles/0,7340,L-4469467,00.html 
http://www.gaycities.com/best-of-2011/vote.php?page=10
http://oglobo.globo.com/boa-viagem/tel-aviv-capital-gay-mediterranea-3891145
http://www.opovo.com.br/app/divirta-se/2014/01/31/noticiasdivirtase,3199951/com-beijo-gay-amor-a-vida-chega-ao-fim-com-surpresas-e-revelacoes.shtml

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