quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

UM ENCONTRO COM THOMAS FRIEDMAN EM YAMIN MOSHE: MUDANÇAS CLIMÁTICAS, CONFLITOS E PAZ NO ORIENTE MÉDIO






Raquel Teles Yehezkel



3 Prêmio Pulitzer, Thomas Friedman, em Jerusalém
Na quinta-feira, dia 30 de janeiro, fui a Jerusalém assistir à palestra e conhecer de perto Thomas Friedman, famoso escritor e jornalista do New York Times, que, confesso, não conhecia até então. Especialista em política, economia internacional, globalização e meio ambiente, mas principalmente em conflitos no Oriente Médio, ganhou 3 prêmios Pulitzer, a maior premiação norteamericana na área de jornalismo e de literatura. Em 1983, como Repórter Internacional que cobriu a Primeira Guerra do Líbano;  em 1988, quando cobriu a Primeira Intifada (rebelião contra Israel) na Palestina e escreveu seu primeiro livro Do Líbano a Jerusalém; e em 2002, como melhor Comentarista, por suas análises sobre o impacto do terrorismo no mundo. Entre seus livros, encontra-se A terra é plana, um best-seller que recebeu excelentes críticas, a respeito da globalização que, em tese, democratizaria as oportunidades em torno do globo informatizado, nivelando primeiro e terceiro mundo num mesmo plano.

Thomas Friedman é conhecido internacionalmente por seu texto claro e direto, por suas ideias arrojadas, mas, também, por sua influência política, devido ao trânsito fácil entre os rincões mais pobres e perturbados do mundo e os tapetes vermelhos dos mais diversos governos. Dá-se a ele créditos no processo de paz no Oriente Médio, por ter encorajado pessoalmente o príncipe herdeiro saudita Abdullar a fazer uma tentativa abrangente para a normalização das relações árabes com Israel, proposta levada por Abdullar à Cúpula de Beirute em março de 2002, conhecida como Iniciativa de Paz Árabe. Desde então, todos querem ler sua coluna dominical e saber qual a sua opinião sobre conflitos e paz em torno do mundo.

Bairro Yemin Moshe, c vista da cidade antiga
Moinho de Montefiore
O encontro com Thomas Friedman e jornalistas israelenses, patrocinado pela agência de mídia The Jerusalem Press Club (JPC), se deu no conjunto arquitetônico Shaananim, que fica em Yamin Moshe, hoje a região mais cara e charmosa de Jerusalém, por si só, um prazer visitar. Este complexo foi o primeiro bairro fora das muralhas da cidade antiga, construído no fim do século XIX pelo filantropo britânico Moses Montefiore, para abrigar parte da população carente da cidade antiga. Nele se encontram atualmente o Museu Montefiore, no antigo moinho de trigo do bairro, o requintado King David Hotel, primeiro hotel de Israel, o belíssimo complexo arquitetônico e albergue da YMCA, o Shaananim Guest House, local do encontro, a antiga sinagoga do bairro, charmosos ateliês de arte. Enfim, um lugar delicioso para ouvir o que Friedman tem de interessante a dizer sobre o meio ambiente, as mudanças climáticas e os conflitos em volta do mundo. E entre o que disse, dois pontos me  pareceram mais marcantes.

O primeiro, o gancho de sua ideia de “achatamento” global, que nivelaria a população em volta do globo terrestre por meio de informação e tecnologia, às rebeliões nos países árabes, populações antes confinadas a seus pequenos mundo, despertadas por meio das mídias e redes sociais. Citou como exemplo da Primavera Árabe egípcia: “O tigre acordou e não vai voltar à clausura. E ele se alimenta de carne, não tente alimentá-lo com outra coisa”. Uma alusão a que hoje tudo se encontra na rede e de que nada adianta contar lorotas ou tentar levar falsas ilusões a uma população conectada. Citou o exemplo do ex-presidente Mubarak, que enriquecia ilicitamente e governava o país com mão de ferro durante 50 anos, enquanto ao lado, em Israel, o ex-presidente Moshe Katsav ia preso por assédio sexual.



O outro ponto que chamou minha atenção, foi a perspectiva econômica que ele vê nos conflitos atuais, ligada, principalmente, à tragédias geradas pelas mudanças climáticas globais e o deslocamento de populações, movidas por estas razões. Aqui, ele mostrou um filme que fez na Síria, que estreará em breve, onde entrevista refugiados sírios na Turquia, que contam que decidiram pegar em armas no conflito contra o ditador Bashar Assad após viver um longo período de carestia devido às últimas secas no norte do país e à posição do governo que não tomou nenhuma medida para ajudá-los - parcela da população descontente, movida por problemas climáticos, que se alia à luta contra o poder. No mínimo, uma perspectiva diferente e interessante.

Jerusalém, em Mishkanot Shaananim
É óbvio que Thomas Friedman apoia a iniciativa de John Kerry no processo de paz Israel-palestinos. E acha que se ele falhar, demorará muito até que surja outra oportunidade como esta, enxergando muito perigo para Israel no isolamento e na instabilidade da região. Conforme disse, “Israel é uma potência em todos os sentidos, há gigantesco desnível socioeconômico entre os dois povos”. Motivo que, em tese, deveria mover Israel a dar uma chance ao processo de paz, a ser mais generoso com seu vizinho, apesar dos perigos que, reconhece, envolvem o processo.

Quanto aos Estados Unidos, Friedman está muito engajado na política para um país mais verde e mais limpo e conclama seus compatriotas a se juntarem na construção de um país mais verde, com a energia mais limpa no mundo. Vejam seu chamado no link: http://www.youtube.com/watch?v=HsiIw7iV3fU

Em sua última coluna no New York Times, chamou os presidentes Nataniyahu e Obana a ler o livro do jornalista do jornal Haaretz, Uri Shavit, My Promised Land: The Triumph and Tragedy of Israel, que segundo ele seria a melhor análise que leu nos últimos anos sobre a história de Israel e a questão israelo-palestina. O livro que será lançado em breve com edições simultâneas nos Estados Unidos e Israel. Para quem gosta do assunto, fica aí a indicação de um especialista.


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