Raquel Teles Yehezkel
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| 3 Prêmio Pulitzer, Thomas Friedman, em Jerusalém |
Thomas Friedman é conhecido
internacionalmente por seu texto claro e direto, por suas ideias arrojadas,
mas, também, por sua influência política, devido ao trânsito fácil entre os
rincões mais pobres e perturbados do mundo e os tapetes vermelhos dos mais
diversos governos. Dá-se a ele créditos no processo de paz no Oriente Médio, por
ter encorajado pessoalmente o príncipe herdeiro saudita Abdullar a fazer uma
tentativa abrangente para a normalização das relações árabes com Israel,
proposta levada por Abdullar à Cúpula de Beirute em março de 2002, conhecida
como Iniciativa de Paz Árabe. Desde então, todos querem ler sua coluna
dominical e saber qual a sua opinião sobre conflitos e paz em torno do mundo.
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| Bairro Yemin Moshe, c vista da cidade antiga |
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| Moinho de Montefiore |

O encontro com Thomas Friedman e
jornalistas israelenses, patrocinado pela agência de mídia The
Jerusalem Press Club (JPC), se deu no conjunto arquitetônico Shaananim, que fica
em Yamin Moshe, hoje a região mais cara e charmosa de Jerusalém, por si só, um
prazer visitar. Este complexo foi o primeiro bairro fora das muralhas da cidade
antiga, construído no fim do século XIX pelo filantropo britânico Moses
Montefiore, para abrigar parte da população carente da cidade antiga. Nele se
encontram atualmente o Museu Montefiore, no antigo moinho de trigo do bairro, o
requintado King David Hotel, primeiro hotel de Israel, o belíssimo complexo arquitetônico
e albergue da YMCA, o Shaananim Guest House, local do encontro, a antiga sinagoga do bairro, charmosos
ateliês de arte. Enfim, um lugar delicioso para ouvir o que Friedman tem de
interessante a dizer sobre o meio ambiente, as mudanças climáticas e os
conflitos em volta do mundo. E entre o que disse, dois pontos me pareceram mais marcantes.
O primeiro, o gancho de sua ideia
de “achatamento” global, que nivelaria a população em volta do globo terrestre por meio de informação e tecnologia,
às rebeliões nos países árabes, populações antes confinadas a seus pequenos mundo, despertadas por meio das mídias e redes sociais. Citou como
exemplo da Primavera Árabe egípcia: “O tigre acordou e não vai voltar à
clausura. E ele se alimenta de carne, não tente alimentá-lo com outra coisa”.
Uma alusão a que hoje tudo se encontra na rede e de que nada adianta contar
lorotas ou tentar levar falsas ilusões a uma população conectada. Citou o
exemplo do ex-presidente Mubarak, que enriquecia ilicitamente e governava o país
com mão de ferro durante 50 anos, enquanto ao lado, em Israel, o ex-presidente
Moshe Katsav ia preso por assédio sexual.
O outro ponto que chamou minha atenção, foi a
perspectiva econômica que ele vê nos conflitos atuais, ligada, principalmente, à
tragédias geradas pelas mudanças climáticas globais e o deslocamento de
populações, movidas por estas razões. Aqui, ele mostrou um filme que fez na Síria,
que estreará em breve, onde entrevista refugiados sírios na Turquia, que contam
que decidiram pegar em armas no conflito contra o ditador Bashar Assad após
viver um longo período de carestia devido às últimas secas no norte do
país e à posição do governo que não tomou nenhuma medida para ajudá-los - parcela
da população descontente, movida por problemas climáticos, que se alia à luta contra o poder. No mínimo, uma
perspectiva diferente e interessante.
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| Jerusalém, em Mishkanot Shaananim |
Quanto aos Estados Unidos, Friedman está
muito engajado na política para um país mais verde e mais limpo e conclama seus
compatriotas a se juntarem na construção de um país mais verde, com a energia mais limpa
no mundo. Vejam seu chamado no link: http://www.youtube.com/watch?v=HsiIw7iV3fU
Em sua última coluna no New York Times,
chamou os presidentes Nataniyahu e Obana a ler o livro do jornalista do jornal
Haaretz, Uri Shavit, My Promised Land: The Triumph and Tragedy of Israel,
que segundo ele seria a melhor análise que leu nos últimos anos sobre a história
de Israel e a questão israelo-palestina. O livro que será lançado em breve com
edições simultâneas nos Estados Unidos e Israel. Para quem gosta do assunto,
fica aí a indicação de um especialista.
Fontes:




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