terça-feira, 26 de agosto de 2014

ISRAEL, GAZA E O HAMAS

 Raquel Teles Yehezel

Meus amigos no Brasil me perguntam o que Israel está fazendo em Gaza. Não queria responder, pois é mais fácil ficar fora do conflito, simplesmente apontar aquilo que é mais óbvio ou ficar sempre do lado do mais fraco. Mas vamos lá. Realmente é motivo de perplexidade o que vem ocorrendo em Gaza e não menos em Israel. Não defendo a morte de uma pessoa sequer, muito menos de crianças e civis inocentes. E nenhum lado tem completa razão quando um conflito chega a este ponto. Mas é necessário buscar compreender os conflitos na região do Oriente Médio.

Esta não é uma guerra por territórios, pois Gaza é um território independente, com governo próprio desde 2005 quando Israel entregou o governo de Gaza a Mahmud Abas, retirando 8 mil judeus da região; também não é uma guerra contra os palestinos, pois grande parte deles reconhecem e vivem em paz relativa com Israel, como acontece com a maioria na Cisjordânia e com milhões de árabes que vivem dentro das fronteiras de Israel. Os extremos são o problema, têm que ser evitados e combatidos, dos dois lados. Os seis rapazes israelenses que mataram o jovem árabe após a morte dos três adolescentes estão presos e serão julgados, já os que mataram os três rapazes, apesar de todos saberem seus nomes, continuam soltos.

O Hamas é um grupo violento e fora da lei, que mantém Gaza sob coação e elimina qualquer voz que se levante contra eles. Ninguém deveria apoiar um estado dominado por grupo que tem um estatuto como o do Hamas, um verdadeiro barril de pólvora, que já publiquei sobre isso anteriormente. Israel é um pais democrático, com imprensa livre, com uma gama de todo tipo de população e de correntes de pensamentos. A pressão internacional pode exigir do governo israelense um diálogo de paz efetivo, mas não forçá-lo a ser passivo quando é atacado constantemente por uma força que tem como o único objetivo destrui-lo. O Egito e a Arábia Saudita são abertamente contra o Hamas, o Hezbollah, o Jihad, pois os conhecem por dentro e sabem o perigo que representam quando se instalam em um pais. É o que faz o Egito no Sinai, onde se contrapõe ao Hamas, patrocinado pela Irmandade Muçulmana - que foi posta e deposta do governo pela população do Egito quando enxergaram seu extremismo. O mesmo se dá hoje em Gaza. O Hamas foi eleito para compor o governo junto a Autoridade Palestina, e, em 2006, quando a linha do Fatah (OLP de Abbas) não concordou com suas posições, o Hamas tomou frente do combate onde morreram, em poucos dias, mais de 1 mil pessoas, em uma guerra sangrenta entre irmãos. Israel já mostrou seriedade nos acordos definitivos que fez com o Egito e com a Jordânia. Nenhum dos dois quis ficar com a palestina para tomar a frente e ajudar na formação do estado palestino. Nem a Jordânia quis ficar com a Cisjordânia, que estava sob seu poder até a guerra de 1967, nem o Egito quis ficar com Gaza, que atualmente é um estado autônomo, livre da ocupação israelense, desde que o próprio governo israelense decidiu unilateralmente entregá-lo à Autoridade Palestina, retirando da região mais de 8 mil israelenses, em 2006. Desde então, sob o domínio do Hamas, só faz acumular armamentos e construir túneis com a intenção de atacar o vizinho.

Nas negociações para um cessar-fogo no atual conflito, Israel e Egito estão tentando introduzir Mahmoud Abbas em Gaza, com a responsabilidade sobre as fronteiras, com o auxílio de forças internacionais, mas esta proposta não é do interesse do Hamas, que prefere continuar na batalha enquanto sua população lhe serve de escudo. A imprensa não divulga tudo, prefere ficar com as imagens mais doloridas de Gaza. Alguém viu a engenharia aplicada nas dezenas de túneis cuja única intenção é penetrar ilegalmente sob a fronteira para cometer atos de terrorismo? Israel tem o exército mais moral do planeta, apesar da imoralidade de toda guerra. Avisa com panfletos qual a área a se evacuar, telefona para as casas, mas o Hamas dá contraordem de não evacuar a região. Viram a escola da ONU atolada de explosivos? A ONU sabe. Viram a outra escola que Israel detonou, também? Viram ontem um hospital que Israel durante 36 horas pediu evacuação, avisou por telefone inclusive ao médico diretor, que o lugar não estava sendo usado para doentes, mas era de onde saíam a maior parte dos últimos foguetes direcionados às comunidades israelenses. Ontem Israel jogou uma bomba e viu-se na imagem uma explosão atrás da outra, de explosivos acumulados no local. Viram Israel trazendo feridos palestinos para os hospitais? O Egito não abriu sua fronteira para ajuda e cessar-fogo humanitário, Israel abriu. É claro que há erros, mas não são deliberados, e isso será provado na comissão que foi instalada ontem pela ONU, pois está tudo documentado.

Quanto ao uso de forças desproporcionais, é sem dúvida desproporcional. Mas é como os Estados Unidos e as forças europeias no Afeganistão, enquanto morrem unidades de soldados dessas forças, morrem dezenas da outra, e esta é a tragédia, mas jamais um massacre ou genocídio, palavras usadas na imprensa brasileira. Israel é menor que o estado do Sergipe, os milhares de foguetes que o Hamas mandam cruzam todo o país, e se não fosse o domo de ferro, antimíssel israelense, verdadeiros salvadores da pátria, aí então o mundo estaria presenciando mais desgraças...

Por ser pequeno, quase todas as famílias tem um filho ou um membro próximo nas forças de defesa, o que realmente causa absoluta tensão. Perder mais de 30 e ter centenas hospitalizados é pouco? É desproporcional? Minha amiga, correspondente da Globo News, recebeu em seu celular mensagem que eu vi, de uma declaração de um dos chefes do Hamas: que Israel ia ser varrido do mapa, pois assim como os judeus amam a vida, nós amamos a morte. Eles não escondem isso.

Em menor escala, é possível imaginar o governo brasileiro deixando facções criminosas se armarem até os dentes e construírem bunkers entre a população que vive nas densas favelas, tomando-os como reféns, como vinha ocorrendo Complexo do Alemão, no Rio. É verdade que eles dão dinheiro para obras sociais, mas, ao mesmo tempo, aliciam seus filhos para o tráfico e a violência. Infelizmente, é mais ou menos essa a realidade de Gaza, que passou a ser dominada por uma força única e violenta como o Hamas.

Israel, 24 de julho de 2014 


Estatuto do Hamas na íntegra:

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/estatuto-do-hamas/

http://www.beth-shalom.com.br/artigos/estatuto_hamas.html

Educação em Gaza:

http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/2014/08/06/chorao-da-onu-e-desmascarado-na-tv-video-mostraria-escolas-da-entidade-

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