domingo, 9 de julho de 2017

Influências culturais brasileiras na sociedade israelense

"Tudo Bom", música de Static e Ben-El Tavori, tem dado pano pra manga... Vamos lá.

Em 7.7.2017, a jornalista Daniela Kresch escreveu para a Folha de São Paulo um artigo sobre o sucesso dessa música e explica a influência da música brasileira na sociedade isralense. Porém, não concordo, de forma alguma, que o reavivamento da música brasileira em Israel se tenha dado por causa do hit Tudo Bom e da dupla Static e Ben-El.

Muitas pessoas me dizem que depois da inauguração do Centro Cultural Brasileiro em Tel Aviv em 2014, a música brasileira tem se revigorado em Israel. Mas também não creio que seja isso. Acredito na força conjunta de um movimento cultural muito maior, vindo de baixo para cima, da conjunção de bons e de pequenos trabalhos de muitos brasileiros em Israel nos últimos anos.

Diferente dos anos 70 aos 90, em se pode indicar aqueles que traziam a música brasileira para Israel, como Eli Israeli e Dubi Lenz no rádio, Mati Caspi, Or Harpaz, Ilanit, o grupo Coco Loco, os Barzellais no showbiz, o Centro Yedidut Brasil Israel dos Warsseman com a Beth, Clara  a Ida, agora são nomes menores, mas constantes na cena cultural isralense, como Sambadobom, Joca Perpignan, Marcelo Nami, Elisete Retter, Timna Comedi, Noa Peled, Paulinho Ferreira organizando grandes noites de forró, Andre Golovaty, Daniel Ring, Chorolê e a Roda de Choro que já recebeu centenas de músicos israelenses; o programa Kessem Brasilai de Rachely Scapa na radio Sol; o CCB Tel Aviv que já ensinou português e cultura brasileira a centenas de israelenses, com eventos e atuação frequente nas redes sociais; o grupo Batucada Amazonas há 20 anos no mercado, a Silvinha em eventos, também há 20 anos, o Juares, o Giba, Ba Freyre, Fernando Seixas que fazem frequentes shows para grandes públicos; o Reuvem Shavit, israelense que ama a música brasileira e a divulga no Facebook; o grupo Tupinikim que acompanhou a seleção dos paralímpicos israelenses até o aeroporto; a Liza do Zouk Lambada, que ensina danças brasileiras; o Yuval Yonayoff em seu incrível barzinho brasileiro Na Favela; artistas plásticos de renome como Eunice Figueiredo, Maly Melon, Denise Filliez e outros; arquitetos brasileiros reconhecidos como Vittorio Corinaldi, Sérgio Lerman e muitos outros; traduções recentes de literatura brasileira para o hebraico, como Guimarães Rosa, Nelson Rodrigues, Charles Kiefer, Daniel Galera e Ronaldo Wrobel, para citar as últimas; o Leitorado de língua e literatura brasileira na Universidade Hebraica; e, principalmente, os muitos grupos de capoeira e de jiu-jitsu, influenciando centenas de crianças e de jovens israelenses.

Enfim, acredito ser um movimento cultural maior, também de brasileiros anônimos que fizeram aliá (imigração) nos últimos anos e têm sobressaído, com sua criatividade, em campos diversificados, levando à frente uma imagem positiva da rica e variada cultura brasileira. Centenas de pessoas trabalhando diariamente, até que então vem uma dupla, no auge de sua popularidade e bem empresariada, e colhe os frutos plantados em terra fértil por todo esse coletivo. Não deixa de ser muito positivo, de ser um reflexo do trabalho de todos esses brasileiros em Israel.

Texto de Raquel Teles Yehezkel

Acessado em 9.7.2017:

www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/01/1899008-dupla-israelense-canta-funk-em-portugues-e-vira-maior-hit-do-país.shtml


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