domingo, 2 de julho de 2017

Cristo, Messianinsmo e Hassidismo

Muitos perguntam como o judaísmo vê Jesus Cristo. Eu não saberia responder com precisão, mas gosto de pensar a questão sob a perpectiva do hassidismo ao longo da história. Assim, talvez fosse possível pensar Jesus como um judeu estudioso, sábio, praticante das leis mosaicas, já que criado em lar judaico - lembrando que naquele tempo todos eram praticantes.

De modo geral, o judaísmo não segue uma linha de poder hierarquizada, apesar do destaque dado a Moisés - que recebeu de Deus a Torá -, aos Juízes, aos Reis e aos Cohen (Cohanim / Sacerdotes) da época do Grande Templo, seus sucessores não foram seus descendentes, mas aqueles merecedores de tais posições. Assim, no judaísmo, os mais altos rabinos são aqueles considerados os sábios e os justos de cada geração. E há muitos na história do povo judeu, tão justos (tzadik / tzadikim no plural) que foram capazes de realizar milagres e transformações.

Nessa concepção, Jesus teria sido um sábio, um justo de sua época, com muitos seguidores, como é comum até hoje entre os grandes rabinos. Como foram Nathan de Gaza, Ari HaKadosh, Baal Shem Tov e mais recentemente o Rabino de Lubavitch, o Baba Saly, o Rabino Ovadia Yossef, que faleceu há alguns anos, levando às ruas de Jerusalém um milhão de pessoas, entre seguidores e admiradores. Na religião judaica, os rabinos sábios / tzadikim têm seguidores / hassidim, que, após a morte do mestre, continuam honrando sua memória e divulgando seus ensinamentos. Nessa linha de pensamento, sendo Jesus um estudioso da Torá e um sábio, ele teria muitos seguidores, um costume na tradição judaica.

Na tradição cristã, conta-se que, aos 13 anos, Jesus estava pregando para um grupo de sacerdotes que se encantou com seu saber. Sabe-se que aos 13 anos comemora-se o Bar Mitzva, quando o jovem recebe a maioridade frente à comunidade religiosa e sobe ao bimá/ palco para ler e falar sobre a porção da Torá daquela semana. Portanto, supõe-se que Jesus fez o Bar Mitzva, como manda a tradição judaica. E, como é o costume até hoje, toda reunião de pessoas deve ser também uma oportunidade de ensinar a palavra de Deus. Daí pode-se depreender que Jesus era um jovem aluno inteligente e carismático. Depois dessa passagem, ele volta a aparecer já adulto. Pressupõe-se que tenha estudado com sábios da Torá nesse período, como é o costume desde esses tempos até hoje; e o que seria provável a um descendente da casa de David, como acredita-se que ele tenha sido.

Finalizando, sob essa perspectiva, Jesus seria um bom judeu, o que significaria que viveu e morreu como judeu. Apesar de questionar alguns costumes, não teria sido ele o fundador de uma nova religião, mas seus discípulos, que, mudando as leis segundo inferiram das pregações de Jesus, fundaram o cristianismo, que na etimologia grega significa messianismo. Ou seja, para seus seguidores, Cristo teria sido o Messias tão esperado no judaísmo. Porém, para os judeus que não eram seus seguidores, ele não poderia ter sido o messias, já que, segundo as citações do Antigo Testamento não cumpriu todos os quesitos citados para sê-lo.

Assim, sob esse enfoque, Jesus teria sido um bom judeu, que viveu e morreu como judeu, um  justo e sábio de sua geração, um tzadik, como se diz em hebraico.

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