terça-feira, 25 de julho de 2017

Monte da Mesquita Al-Aqsa em Jerusalém e a polêmica dos detectores de metais

Há uma semana, em 14 de julho de 2017, dois soldados israelenses foram assassinados quando faziam a guarda comum no Monte da Mesquita Al-Aqsa em Jerusalém, ponto nevrálgico da cidade, pois fica no alto, onde era Antigo Templo de Salomão, tendo a seus pés o Muro das Lamentações, lugar mais visitado de Israel. Após a morte dos soldados na semana passada, o governo de Israel decidiu colocar detectores de metais na entrada do Monte da Mesquita Al-Aqsa, conhecido por Har HaBait / Monte do Templo entre os israelenses. Isso causou um comoção geral entre população palestina, incitada durante toda a semana pela Autoridade Palestina e pelo Hamas a não aceitarem mudança no status quo do Monte da Mesquita Al-Aqsa. Na verdade não se pretende mudar o status quo, mas não permitir a entrada de pessoas armadas no local, como é atualmente em todos os lugares públicos como aeroportos do mundo, monumentos importantes na França, e aqui em shoppings, Muro das Lamentações, Túmulos dos Patriarcas em Hebron, monumentos cristãos nas cidades da Galileia, enfim, em  locais públicos espalhados pelo país. Sexta-feira é o dia mais importante na reza muçulmana. Durante toda a semana anunciaram no rádio para a população palestina não ir rezar em suas mesquitas, as quais estariam fechadas para que todos fossem rezar em Jerusalém, na Mesquita Al-Aqsa. Isso gerou ontem uma tensão nas barreiras que cercam o acesso a Jerusalém e também o acesso ao Monte da Mesquista Al-Aqsa, já que a polícia israelense tinha que fazer revistas para não haver entrada de armas, seja na cidade ou no Monte Al-Aqsa. Foi uma comoção geral. Nessas barreiras e em Jerusalém houve confrontos diretos entre a polícia e palestinos com pedras, fogos de artifícios e coquetel molotov em garrafas e a polícia. Nos confrontos de ontem 3 jovens palestinos morreram. De noite, um rapaz palestino invadiu uma casa de família em um assentamento, matando violentamente um senhor de 75 anos e seus 2 filhos adultos, reunidos para a celebração do Shabat. A mulher e as crianças, que estavam no andar de cima se preparando para dormir, foram poupados, pois um vizinho, ouvindo os gritos de socorro, entrou e matou o jovem terrorista palestino. Israel está tentando acalmar os ânimos, mas não creio que vá desistir de colocar dedectores de metal na entrada do Monte da Mesquita Al-Aqsa. Sendo o Muro das Lamentações debaixo do Monte, lá de cima de pode jogar pedras ou outros objetos nas pessoas embaixo. Assim, a manutenção da ordem em cima e embaixo é fundamental para que toda a população palestina possa continuar a fazer suas orações em Al-Aqsa e para que os judeus e os visitantes do mundo inteiro possam ter acesso seguro ao Muro das Lamentações. À princípio seria muito lógico colocar detectores de metal na entrada do Monte da Mesquita, assim como já tem na entrada para o Muro das Lamentações, pois é assim que, infelizmente, funciona hoje os lugares públicos no mundo inteiro. No entanto penso que quem tem que colocar detectores e revistar a entrada do Monte da Al-Aqsa seja a própria Autoridade Palestina e não Israel. Mas, certamente, a Autoridade Palestina não quer tal proposta e muito menos Israel, que pretende ter o controle em suas mãos. Atualmente a guarda de Jerusalém é toda de Israel. Só além os muros que cercam o lado Leste da cidade é de responsabilidade Autoridade Palestina. No Monte, a guarda é partilhada, só que a guarda da palestina é desarmada. Israel responsabiliza a Autoridade Palestina pelos desastres de ontem, afirmando que os detectores de metais não constituem mudança no status quo que regula o funcionamento do local, já que os palestinos continuarão com acesso normal ao Monte. Culpa também a Autoridade por incitar, durante toda a semana, os palestinos a subir a Jerusalém para as rezas de sexta, aumentando a tensão já intensa e a confusão de modo geral. Pelo lado palestino, eles afirmam que os detectores de metais são sim uma mudança no comando que regula o acesso ao local, portanto no status quo atual. O Monte do Templo, para os judeus, ou Monte da Mesquita Al-Aqsa, para os muçulmanos, é sem dúvidas o cerne do Mundo. O encontro das três religiões monoteístas, que segundo a crença, é o local  do altar em que Abraão sacrificaria o filho Isaac e o Senhor o teria impedido de fazê-lo.

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