Raquel Teles Yehezkel
Você sabe o que é ISIS? Estado Islâmico do
Iraque. Isis, Hamas, Jihad, Irmandade Muçulmana, Hezbollah, Al Qaeda são grupos
que lutam pela instituição de um Estado Islâmico, cada um atuando em uma região
diferente, mas com a mesma ideologia. São grupos jihadistas, isto é, pregam a
Guerra Santa (Jihad) e a conversão dos infiéis pela força das armas, com a finalidade de criar um Estado Islâmico
universal, preconizado em suas escrituras sagradas. Parece delírio? Mas não é. É
uma ideologia que vem se mostrando vencedora e se expandindo por várias partes
do mundo, segundo a qual mais cedo ou mais tarde, acreditam, o mundo será governado
pelo Islã, única religião possível:
Artigo 34: Trata-se
da única forma de libertação, e ninguém pode duvidar do testemunho da história.
Trata-se de uma das leis do universo e leis da realidade. Somente o ferro pode
romper o ferro, e a falsa e fabricada fé dos inimigos somente pode ser vencida
pela fé verdadeira do Islã, porque a verdadeira fé religiosa não pode ser
atacada senão pela fé religiosa. E a verdade deverá triunfar porque a verdade é
mais forte. (Estatuto do Hamas. http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/estatuto-do-hamas/ )
O Hamas chegou ao poder em 2006 por meio de
eleições, disseminando uma ideologia religiosa extremista, e no ano seguinte,
quando percebeu que em um governo de coalizão não podia fazer o que queria,
tomou pela força a região de Gaza, expulsando em 2007 o governo de Mahmud Abbas
em uma guerra sanguinária entre irmãos, que matou mais de mil palestinos em duas
semanas. Isso aconteceu depois de Israel ter entregado Gaza em 2005 por decisão
unilateral, deslocando, por mandato judicial, 8 mil judeus que residiam na
região. Desde então o Hamas estabeleceu em Gaza uma ditadura perversa, que abafa qualquer voz que se levante contra eles. Em Gaza não
há eleições, não há troca de governos, não há dissidência, não há direito da
mulher ou de gays, há apenas o governo preconizado pela jihad:
Art 28: Exigimos
que os países árabes em torno de Israel abram as suas fronteiras aos árabes e
muçulmanos combatentes da Jihad a fim de cumprirem sua parte, juntando suas
forças às forças dos seus irmãos – a Irmandade Muçulmana na Palestina. Dos
demais países árabes e muçulmanos, exigimos que, no mínimo, facilitem a
passagem através de seus territórios dos combatentes da Jihad. (Estatuto do
Hamas. http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/estatuto-do-hamas/ )
O mundo distante não compreende a extensão desses conflitos, como também não compreendeu rapidamente os objetivos do governo fascista instituído por Hitler, até atingir toda a Europa e chegar à Segunda Guerra; ainda assim, assistiram de longe, dificultando a saída e entrada dos refugiados da guerra. O holocausto deu legitimação para a criação de um estado judeu, onde eles pudessem se autogovernar, construir um estado e se autoprotegerem em terras ancestrais. Após viver dois longos exílios, o da Babilônia, pelas mãos dos persas e a Diáspora, pelas mãos dos romanos, o povo judeu voltou pode à sua terra de origem. Nessa terra, sempre estiveram presentes povos semitas, sejam árabes ou judeus, em maior ou menor quantidade, dependendo sob qual dominio estivesse, seja: romano, árabe, turco, egípcio, inglês, jordaniano (48 a 1967). Por que não se fundou o estado da Palestina em tempos passados ou em 1948, nas terras indicadas pela ONU? Porque os países vizinhos não aceitaram a criação de um estado judeu na região e se juntaram contra a autodeterminação do jovem estado no que se chamou, em Israel, de Guerra da Independência. Após esta guerra, o Egito ficou com o domínio sobre Gaza, e a Jordânia, com a Cisjordânia, inclusive com Jerusalém, onde era proibida a entrada de judeus. Por que nesse período de 20 anos não formaram a Palestina entre 1948 e 1967, quando esse território estava sob seu domínio? Por que não trouxeram de volta os refugiados da guerra de 1948, formando a tão sonhada Palestina? Neste mesmo período, Israel recebeu centenas de milhares de refugiados judeus expulsos ou perseguidos no Irã, Iraque, Síria, Marrocos, Tunísia, Egito, que chegaram a Israel sem nada nas mãos, depois de viverem centenas de anos nesses lugares; não teriam eles direito à indenização ou reintegração nesses países dos quais são oriundos? Os países vizinhos não formaram a Palestina porque tinham como objetivo destruir Israel, e em 1967 novamente se juntaram para “jogar os judeus no mar”, este era o lema árabe. Nessa guerra, de 1967, Israel tomou Jerusalém e chegou à fronteiras geograficamente seguras, ocupando as montanhas do Golã da Síria; a Cisjordânia da Jordânia, tendo o Vale do Jordão como fronteira segura; e o deserto do Sinai, do Egito, devolvido no esquema de paz entre os dois países em 1978. O Egito não quis Gaza de volta. E a Jordânia não quis a Cisjordânia, no tratado de paz assinado em 1994. Deixaram para Israel resolver a questão com os palestinos. Hoje, querem voltar à fronteira de 1967, mas sem nenhum dos assentamentos que foram lá levantados nesses anos de ocupação. Querem a Palestina livre de judeus, enquanto Israel tem 2 milhões de árabes muçulmanos em seu território.
Por que atualmente países vizinhos como o
Egito, Arábia Saudita, Síria e Jordânia apoiam a iniciativa de Israel contra o
Hamas? Por que Mahmud Abbas e a Cisjordânia se calam? Por que Rússia e China
não dizem nada? Porque conhecem de perto o perigo que representam os grupos
jihadistas para a frágil estabilidade da região. Há poucos anos o Egito elegeu
a Irmandade Muçulmana para logo depois sair às ruas em um movimento popular que
depôs o presidente Morse – estava conhecida a cartilha do extremismo. Até mesmo
a Arábia Saudita apoia Israel na luta em Gaza e culpou publicamente o Hamas por
tudo o que está acontecendo em Gaza, por ter “vendido barato a causa palestina
para a Irmandade Muçulmana" e que o Hamas só quer a guerra. Atualmente, o
Egito apoia Israel em sua iniciativa, não querem o Hamas como vizinhos. Os
únicos países que dão suporte ao Hamas são o Irã, a Turquia e o Catar, acusados
pelo Egito e Arábia Saudita de alimentarem o terror na região. Vejam a
declaração do ministro do exterior da Arábia Saudita, Al Saud, sobre este
assunto: http://awdnews.com/top-news/9417-saudi-foreign-minister-we-must-denounce-our-hatred-toward-israel-and-begin-normalize-ties-with-jewish-nation.html
O mundo vem desdenhando os graves conflitos
no Oriente Médio. Nos conflitos na Síria, grupos extremistas se fortaleceram ao
lutarem ao lado dos que pretendiam derrubar o ditador Assad e de lá partiram
para o Iraque. Dominando uma larga faixa que vai desde a Síria ao Iraque,
caminham em direção a Bagdá, matando quem se opõe a sua ideologia (Vejam em: https://www.youtube.com/watch?v=OCY5YvonoSw ) – é o Estado Islâmico, conhecido pela sigla de ISIS. Onde há vácuo de
governo, o radicais tomam espaço. O governo francês reconhece que há cerca de
mil franceses lutando pela jihad islâmica nos conflitos da Síria e Iraque; e teme
que voltem comprometidos com a ideologia jihadista e melhores treinados, como
foi o caso do atentado contra judeus em uma sinagoga na Bélgica, perpetrado por
um francês que treinado pela Al-Qaeda. Vejam a declaração do presidente francês: http://www.express.co.uk/news/politics/502305/Francois-Hollande-UK-to-blame-for-jihadi
Somente após o assassinato do jornalista
americano James Foley parece que a Inglaterra e o Ocidente começam a despertar e
a temer (Vejam em: https://www.youtube.com/watch?v=as2P3fTfvpQ&bpctr=1408894457 ). Mas muitos continuam achando que o problema é o pequeníssimo estado
de Israel. Os antissemitas de plantão, dizendo-se anti-Israel, negam a Israel o
direto de autodefesa e até mesmo seu direito de existir. Como podem chamar de colonialista um país de território
mínimo, que abriga em seu território 1/4 de população árabe e ainda cercado por vizinhos que se
autodeclaram inimigos? Israel não é um país perfeito, mas é um país moderno e
diversificado, que recebeu judeus oriundos de mais de 50 povos em sua formação
e possui 2 milhões de árabes cidadãos israelenses, com os mesmos direitos, inclusive
de voto, vivendo em relativa paz; a maior parte muçulmanos, mas também
beduínos, drusos, cristãos, que possuem liberdade de culto, o que não ocorre
nos países islâmicos vizinhos. Um país que contém todo tipo de correntes de
pensamento, uma imprensa livre, inteligente e afiada e um poder judiciário
forte para fazer autocrítica e julgar seus próprios crimes. Pode-se falar mal
do governo, da guerra e suas atrocidades em manifestações públicas, pode-se
abrir entidades contra o exército e abrir julgamento contra ações do
governo. Israel é o país que tem, proporcionalmente, o maior número de famílias gays constituídas no mundo e
todo tipo de corrente se encontra representada no parlamento, a Knesset, onde
se juntam em coalizões formando uma maioria que governa. Atualmente o governo é
de direita, mas já foi de esquerda.
Este momento, em que os países vizinhos
apoiam Israel na luta contra o Hamas, é propício para se conseguir um acordo de
paz amplo e duradouro para a região, apoiado pelas comunidades internacionais. Sem
túneis traiçoeiros sob os pés, conforme prega o Hamas em seu estatuto:
Art.
13 – "As iniciativas, as assim chamadas soluções pacíficas e conferências
internacionais para resolver o problema palestino se acham em contradição com
os princípios do Movimento de Resistência Islâmica, pois ceder uma parte da
Palestina é negligenciar parte da fé islâmica.
“Os judeus nunca ficarão contentes, tampouco os
cristãos, a menos que se siga a religião deles. Dizei: ‘A orientação de Alá é a
orientação certa.’ Mas se seguirdes os desejos deles, depois de saberdes quem
foi que veio até vós, então não tereis a proteção e a guarda se Alá.” (Alcorão
2- 120).
Não há solução para o problema
palestino a não ser pela jihad (guerra santa).
Iniciativas de paz, propostas e
conferências internacionais são perda de tempo e uma farsa. O povo palestino é
muito importante para que se brinque com seu futuro, seus direitos e seu
destino. Como consta do Hadith:
“O povo de Al-Sha’m é o açoite (de Alá) na Sua terra. Por meio dele, Ele se
vinga de quem Ele quer, dentre os Seus servos. Os hipócritas não podem ser
superiores aos crentes, e devem morrer em desgraça e aflição.” ( Estatuto do Hamas. http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/estatuto-do-hamas/ )
Fontes:
Acessado em
24.08.2014
Estatisticas
de europeus em movimentos jihadistas:
Estatuto do
Hamas:
Morte do jornalista James Foley:
Isis:
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