Raquel Teles Yehezkel
Ao ver a foto de meu filho se despedindo de nós e entrando num ônibus do exército de Israel (Tzvá leHaganá leIsrael ou Tzhal / Força de Defesa de Israel), muitos amigos e familiares se alarmaram no Brasil. O exército de Israel é uma máquina imensa, cheia de parafusos e engrenagens e meu filho
será apenas mais um trabalhador lá dentro.
O exército tem
jornais, rádio, grupo de teatro e de música, todas as engenharias,
tecnologia, departamento de educação e de apoio a população
necessitada, serviço de inteligência, secretários, cozinha, limpeza, línguas,
computação. E cada um se adapta em seu perfil, fazem testes e vão se
encaixando aos poucos na grande máquina. Os grupos de comando e
grupos de frente são formados por voluntários, que tem de ter o perfil máximo, 97. Não é o caso de meu garoto, por exemplo, que não possui perfil de combatente, é asmático
desde pequeno e ainda assim servirá, seja como um funcionário burocrático ou um técnico.
Nos
primeiros meses, todos passam pela tironut, desafios de exercícios físicos,
conforme seu perfil, e ele se encaixa num perfil médio. 98% da escola da qual
ele vem em Ramat Hasharon querem e sonham ir para o exército. É um período de
crescimento, de convivência, de amizade para toda a vida. Deixam suas
casas e vão morar entre jovens, homens e mulheres que se tornam amigos ao longo das vivências que vão dividindo (as meninas servem dois anos). Se Deus quiser não teremos mais guerras. E, se tiver, vão primeiro os
comandos e os oficiais que quiseram ser oficiais, depois os milhares de
voluntários e não os despreparados, recém-empossados em seus cargos. Não há a
possibilidade de Israel convocar jovens, colocá-los em um ônibus e
enviá-los para a guerra. Ir para uma guerra ou uma
operação exige-se muito preparo. De modo que não se preocupem com meu garoto. Ele está entrando em um sistema muito bem preparado para receber o
jovem sensível que ele é. De lá só sairá uma pessoa melhor.
Um amigo, o
professor do jardim com o qual trabalhei dois anos, é homossexual,
casado e pai de uma filha, uma pessoa muito especial, sensível e inteligente,
resumiu bem ontem: "Fale para ele não se preocupar. Mais do que nós
damos para o país, é o exército que dá para nós, mais que nós para ele".
Este é o sentimento de orgulho da maioria dos jovens de pertencer as
forças de defesa de Israel. Portanto não se preocupem, ele está em muito
boas mãos!
Israel, 7 de agosto de 2014
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