| Jonathan Medved no Media Centra, Jerusalém |
A taxa de consumo interno cresceu 10% em 2010 e
o capital investido em empresas de alta tecnologia cresceu 70% de 2010 para 2011; das
exportações, que representam 40% da renda nacional, as empresas de alta
tecnologia, chamadas de hightech, são responsáveis por 47%, apenas para
citar alguns fatores que demonstram o constante fortalecimento da economia nacional
na última década. Os dados que impressionam não param por aí, Israel possui
também a maior densidade per capita de startups de alta tecnologia do
mundo, com 4 mil empresas para uma população de 8 milhões de pessoas e a
segunda maior aglomeração de indústrias hightech, conhecida como Silicon
Wadi ou Vale do Silicone, perdendo apenas para o Vale do Silício na Califórnia.
As grandes empresas produtoras de tecnologia no
mundo parecem querer fazer parte deste “milagre” e cada vez mais fazem-se presentes
em Israel, seja estabelecendo-se de forma definitiva no país ou comprando e
investindo em empresas inovadoras, conhecidas mundialmente pelo nome de startups.
Este fluxo contínuo de multinacionais que se estabelecem aí é sinal de
vitalidade tecnológica e industrial e da economia como um todo. Empresas como
Intel, Microsoft e Apple construíram em Israel seus primeiros centros de
pesquisa e desenvolvimento (P&D) fora dos Estados Unidos, sendo que a Intel
Israel emprega mais de 5 mil funcionários em 8 unidades espalhadas pelo país.
Também o megainvestidor Warren Buffett, da Berkshire, comprou em 2007 por US$ 4
bilhões a empresa israelense Iscar, seu maior investimento fora dos Estados
Unidos e o maior já feito por qualquer empresa em Israel. IBM, Cisco Systems, Motorola,
Google, entre outras gigantes multinacionas também estão presentes no país; o
Google, por exemplo, possui cerca de 800 funcionários trabalhando em suas duas
instalações, uma na região de Tel Aviv e outra em Haifa.
A inovações tecnológicas desenvolvidas em
Israel transformaram radicalmente a sociedade moderna e impactaram
positivamente a vida das pessoas no mundo inteiro. Como seria viver sem as
impressões digitais da HP Indigo, a tecnologia IP da VocalTec que permitiu o
desenvolvimento dos celulares e da telefonia em geral, o dispositivo de memória
portátil pen drive USB criado pela M-Systems adquirida depois pela
SanDisk, a tecnologia de compressão ZIP desenvolvida pela Technio, o correio de
voz, o Skipe, o programa de comunicação instantânea ICQ utilizado hoje por
redes sociais como o Twitter e o Facebook? Pode-se citar ainda o painel
termo-solar existente em toda casa israelense, responsável pela produção de 4%
da energia consumida no país; o primeiro depilador elétrico, o Epilady; o Baby
Sense da Hisense, que monitora a frequência respiratória do bebê à distância; a
Pillcam, uma câmera-pípula ingerível, desenvolvida pela Given Imaging, que facilita
o diagnóstico de câncer e distúrbios digestivos; os modernos stents
cardíacos da Medinol; os primeiros scanners de tomografia computadorizada
da Elsint; os tomates cereja, desenvolvidos por cientistas da Universidade
Hebraica; a irrigação por gotejamento, da pioneira Netafim; a dessalinização da
água do mar pela IDE; os primeiros sistemas de defesa antispans e antivírus
FireWall-1 e FloodGate-1 da Check Point; a tecnologia que permite duas chamadas
na mesma linha desenvolvida pela ECI Telecom; os microprocessadores Centrino
para notebooks e o Pentium-4, que saíram da Intel Israel, o que faz o
israelense brincar que a Intel é “Israel inside”; o laboratório farmacêutico
Teva, atualmente a maior empresa produtora de medicamentos genéricos do mundo; sem
citar os inúmeros investimentos em novas tecnologias para o exército que passam
também pelo setor privado, como o antimíssel Domo de Ferro (Kipat Barzel),
sucesso estrondoso contra o Hamas na Operação Pilar de Nuvem em novembro de
2012, setor que coloca Israel como o quarto maior exportador de defesa do
mundo, depois dos Estados Unidos, Rússia e França.
Por que Israel? O sucesso tecnológico deste
pequeno país encravado no Oriente Médio, entre as culturas Ocidental e
Oriental, baseia-se em diversas variáveis. O número proporcional de pessoas
dedicadas à pesquisa e desenvolvimento é o maior do mundo, 140 em cada 10 mil
habitantes, em comparação a 85 nos Estados Unidos; 4,5% do PIB investido em
P&D, em comparação aos 3% na Europa e 2,2% nos estados Unidos, e o segundo
em publicações científicas por ano, superado apenas pelos Estados Unidos, de acordo
com os dados do site do Ministério da Indústria, Comércio e Trabalho, gerando
uma forte sinergia entre o meio acadêmico e as indústrias que alimentam a
inovação contínua.
Israel se diferencia também na singularidade e
na pluralidade de sua sociedade. Uma mistura única de pessoal qualificado oriundo
do sistema educacional israelense, do exército, de imigrantes da ex-URSS, dos
Estados Unidos e da Europa, israelenses que regressaram ao país após uma longa
estadia em centros tecnológicos de países desenvolvidos. Uma sociedade
diversificada, formada por imigrantes de mais de 150 países, que falam mais de
150 línguas, do Marrocos, Yemen, Etiópia, Geórgia, Rússia, Iraque, Irã, Índia,
Turquia, da Europa e das três Américas. Um povo acostumado a lutar pela própria
sobrevivência. Famílias e jovens acostumados à atitudes de riscos, que enviam
os filhos ao exército, onde aprendem a cair, a perder e a recomeçar. O exército
recebe uma massa de jovens pluricultural e os unifica, homens e mulheres com os
mesmos direitos e deveres. O jovem israelense volta à sociedade civil mais
maduro e responsável, pronto para traçar uma trajetória própria, e com os
amigos que fez nos anos em que serviu o exército, troca ideias, interesses,
sonhos e, após estudar (80% são universitários), é muito comum se juntarem em busca de novos
empreendimentos. A sociedade é ágil e culturalmente igualitária. O “povo do
livro”, acostumado a discutir até mesmo com Deus, a criticar e a se envolver em
problemas políticos, econômicos e sociais, parece ter desenvolvido habilidades
para responder rapidamente às necessidades do mercado e a identificar futuras
necessidades, amparado, claro, por uma sólida rede de investidores em capital
de risco e de incubadoras tecnológicas.
Toda a sociedade se encontra de uma forma ou de
outra envolvida no sonho das startups, 15% da sociedade trabalha diretamente
ligada a uma ou há sempre um amigo, ex-colega, primo ou vizinho que montou uma
empresa com alguma ideia inovadora e a vendeu por alguns milhões de shekels; e
cada um sonha chegar à sua vez, incentivados intensamente pelos pais e pelo
sistema educacional que empurram os filhos nos estudos de matemática, ciências
e artes em escolas especializadas de segundo grau.
A mistura única de condições adversas, como a
falta de recursos naturais, clima desértico, constante envolvimento em
conflitos com os vizinhos, e as condições singulares de uma sociedade com altíssimo
número de imigrantes, pesados investimentos em tecnologia militar, ênfase em
educação e desenvolvimento transfomaram o país em uma nação de empreendedores,
na nação das startups.
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