domingo, 7 de julho de 2013

A NAÇÃO DAS START'UPS



Israel é hoje considerada a nação das startups e Jonathan Medved ou Jon, como gosta de ser chamado, é um dos maiores investidores em empresas de alta tecnologia de capital de risco, tendo investido em mais de 100 empresas israelenses, ajudando 12 delas a ultrapassar o valor de 100 milhões de dólares.

Jonathan Medved no Media Centra, Jerusalém
Com bancos muito bem capitalizados e uma economia equilibrada, Israel tem mais empresas cotadas na bolsa de New York (Amex, NASDAQ) do que qualquer outro país do mundo, exceto os Estados Unidos e a China, sendo o melhor e mais seguro mercado de ações, batendo Hong Kong e a Noruega, segundo o Bloomberg Riskless Return, que mede a relação entre riscos e benefícios das aplicações no mercado financeiro mundial. Entre 24 países desenvolvidos, Israel foi o campeão do ranking, com rendimento de 161% na última década, “um sinal da maturidade da economia local”, diz Medved.

A taxa de consumo interno cresceu 10% em 2010 e o capital investido em empresas de alta tecnologia cresceu 70% de 2010 para 2011; das exportações, que representam 40% da renda nacional, as empresas de alta tecnologia, chamadas de hightech, são responsáveis por 47%, apenas para citar alguns fatores que demonstram o constante fortalecimento da economia nacional na última década. Os dados que impressionam não param por aí, Israel possui também a maior densidade per capita de startups de alta tecnologia do mundo, com 4 mil empresas para uma população de 8 milhões de pessoas e a segunda maior aglomeração de indústrias hightech, conhecida como Silicon Wadi ou Vale do Silicone, perdendo apenas para o Vale do Silício na Califórnia.

As grandes empresas produtoras de tecnologia no mundo parecem querer fazer parte deste “milagre” e cada vez mais fazem-se presentes em Israel, seja estabelecendo-se de forma definitiva no país ou comprando e investindo em empresas inovadoras, conhecidas mundialmente pelo nome de startups. Este fluxo contínuo de multinacionais que se estabelecem aí é sinal de vitalidade tecnológica e industrial e da economia como um todo. Empresas como Intel, Microsoft e Apple construíram em Israel seus primeiros centros de pesquisa e desenvolvimento (P&D) fora dos Estados Unidos, sendo que a Intel Israel emprega mais de 5 mil funcionários em 8 unidades espalhadas pelo país. Também o megainvestidor Warren Buffett, da Berkshire, comprou em 2007 por US$ 4 bilhões a empresa israelense Iscar, seu maior investimento fora dos Estados Unidos e o maior já feito por qualquer empresa em Israel. IBM, Cisco Systems, Motorola, Google, entre outras gigantes multinacionas também estão presentes no país; o Google, por exemplo, possui cerca de 800 funcionários trabalhando em suas duas instalações, uma na região de Tel Aviv e outra em Haifa.

A inovações tecnológicas desenvolvidas em Israel transformaram radicalmente a sociedade moderna e impactaram positivamente a vida das pessoas no mundo inteiro. Como seria viver sem as impressões digitais da HP Indigo, a tecnologia IP da VocalTec que permitiu o desenvolvimento dos celulares e da telefonia em geral, o dispositivo de memória portátil pen drive USB criado pela M-Systems adquirida depois pela SanDisk, a tecnologia de compressão ZIP desenvolvida pela Technio, o correio de voz, o Skipe, o programa de comunicação instantânea ICQ utilizado hoje por redes sociais como o Twitter e o Facebook? Pode-se citar ainda o painel termo-solar existente em toda casa israelense, responsável pela produção de 4% da energia consumida no país; o primeiro depilador elétrico, o Epilady; o Baby Sense da Hisense, que monitora a frequência respiratória do bebê à distância; a Pillcam, uma câmera-pípula ingerível, desenvolvida pela Given Imaging, que facilita o diagnóstico de câncer e distúrbios digestivos; os modernos stents cardíacos da Medinol; os primeiros scanners de tomografia computadorizada da Elsint; os tomates cereja, desenvolvidos por cientistas da Universidade Hebraica; a irrigação por gotejamento, da pioneira Netafim; a dessalinização da água do mar pela IDE; os primeiros sistemas de defesa antispans e antivírus FireWall-1 e FloodGate-1 da Check Point; a tecnologia que permite duas chamadas na mesma linha desenvolvida pela ECI Telecom; os microprocessadores Centrino para notebooks e o Pentium-4, que saíram da Intel Israel, o que faz o israelense brincar que a Intel é “Israel inside”; o laboratório farmacêutico Teva, atualmente a maior empresa produtora de medicamentos genéricos do mundo; sem citar os inúmeros investimentos em novas tecnologias para o exército que passam também pelo setor privado, como o antimíssel Domo de Ferro (Kipat Barzel), sucesso estrondoso contra o Hamas na Operação Pilar de Nuvem em novembro de 2012, setor que coloca Israel como o quarto maior exportador de defesa do mundo, depois dos Estados Unidos, Rússia e França.
Por que Israel? O sucesso tecnológico deste pequeno país encravado no Oriente Médio, entre as culturas Ocidental e Oriental, baseia-se em diversas variáveis. O número proporcional de pessoas dedicadas à pesquisa e desenvolvimento é o maior do mundo, 140 em cada 10 mil habitantes, em comparação a 85 nos Estados Unidos; 4,5% do PIB investido em P&D, em comparação aos 3% na Europa e 2,2% nos estados Unidos, e o segundo em publicações científicas por ano, superado apenas pelos Estados Unidos, de acordo com os dados do site do Ministério da Indústria, Comércio e Trabalho, gerando uma forte sinergia entre o meio acadêmico e as indústrias que alimentam a inovação contínua.

Israel se diferencia também na singularidade e na pluralidade de sua sociedade. Uma mistura única de pessoal qualificado oriundo do sistema educacional israelense, do exército, de imigrantes da ex-URSS, dos Estados Unidos e da Europa, israelenses que regressaram ao país após uma longa estadia em centros tecnológicos de países desenvolvidos. Uma sociedade diversificada, formada por imigrantes de mais de 150 países, que falam mais de 150 línguas, do Marrocos, Yemen, Etiópia, Geórgia, Rússia, Iraque, Irã, Índia, Turquia, da Europa e das três Américas. Um povo acostumado a lutar pela própria sobrevivência. Famílias e jovens acostumados à atitudes de riscos, que enviam os filhos ao exército, onde aprendem a cair, a perder e a recomeçar. O exército recebe uma massa de jovens pluricultural e os unifica, homens e mulheres com os mesmos direitos e deveres. O jovem israelense volta à sociedade civil mais maduro e responsável, pronto para traçar uma trajetória própria, e com os amigos que fez nos anos em que serviu o exército, troca ideias, interesses, sonhos e, após estudar (80% são universitários), é  muito comum se juntarem em busca de novos empreendimentos. A sociedade é ágil e culturalmente igualitária. O “povo do livro”, acostumado a discutir até mesmo com Deus, a criticar e a se envolver em problemas políticos, econômicos e sociais, parece ter desenvolvido habilidades para responder rapidamente às necessidades do mercado e a identificar futuras necessidades, amparado, claro, por uma sólida rede de investidores em capital de risco e de incubadoras tecnológicas.
Toda a sociedade se encontra de uma forma ou de outra envolvida no sonho das startups, 15% da sociedade trabalha diretamente ligada a uma ou há sempre um amigo, ex-colega, primo ou vizinho que montou uma empresa com alguma ideia inovadora e a vendeu por alguns milhões de shekels; e cada um sonha chegar à sua vez, incentivados intensamente pelos pais e pelo sistema educacional que empurram os filhos nos estudos de matemática, ciências e artes em escolas especializadas de segundo grau.

A mistura única de condições adversas, como a falta de recursos naturais, clima desértico, constante envolvimento em conflitos com os vizinhos, e as condições singulares de uma sociedade com altíssimo número de imigrantes, pesados investimentos em tecnologia militar, ênfase em educação e desenvolvimento transfomaram o país em uma nação de empreendedores, na nação das startups.

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