A ordem de lançar o míssel que explodiu na madrugada de sexta-feira foi
dada pelo Hamas a pedido da Irmandade Muçulmana do Egito.
O míssel Grad 122
que caiu ao norte de Eilat, sul de Israel, foi lançado da Penísula do Sinai
possivelmente por uma unidade de beduínos, segundo informações de oficiais de
segurança israelenses.
As autoridades alegam que o Hamas respondeu à solicitação da Irmandade
Mulçumana que queria chamar a atenção do eleitor à véspera do segundo turno das
eleições presidenciais no Egito. Até então,
os líderes da Irmandade Muçulmana vinham apresentando uma postura moderada em
relação a Israel em conversas com a comunidade internacional, reeiterada pelo
candidato a presidente Mohamed Morsi que diz não ter intenção de anular os
acordos de paz entre os dois países. Em fórum mais reservado, como na reunião em
El-Mahalla El-Kubra, no início de maio, os líderes da Irmandade afirmaram, na
presença de Morsi, que o candidato ia libertar Jerusalém e que o sonho da
Irmandade é a criação das “Nações Árabes Unidas”, com Jerusalém como sua
capital. "Nossa capital não será Meca ou Medina, mas Jerusalém, milhões de
fiéis marcharão sobre a cidade. O mundo inteiro deve saber - e dizemos isso claramente
- o nosso objetivo é Jerusalém, vamos orar em Jerusalém, e se não - vamos
morrer como mártires em suas ruínas ", disse Sifwat Hijazi, principal
orador da reunião.
Morsi é considerado favorito nas eleições que terminaram ontem. A
Irmandade Muçulmana controla 49 por cento dos assentos no parlamento egípcio. Se
Morsi for eleito, espera-se uma disputa de forças entre o Conselho Militar e a
Irmandade Mulçumana, pois ainda não está definido o alcance dos poderes do novo
presidente, nem se sabe se ele será o comandante supremo das Forças Armadas
como era o ex-presidente ditador Mubarak.
Em Abril três foguetes Grad foram lançados no entorno de Eilat; em
agosto de 2010, cinco, causando a morte de um cidadão jordaniano. Autoridades
israelenses têm expressado temor em relação à Península do Sinai ter se tornado
campo para experiências de grupos terroristas islâmicos como o Hamas e rota de
contrabando de armas da Líbia e do Sudão para a Faixa de Gaza – um desafio para
a segurança de Israel que não pode agir nessa área.
Tel Aviv setembro de 2012
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